Minnesota processa governo Trump por mortes de civis em operação anti-imigração
O estado de Minnesota abriu um processo judicial contra o governo federal dos Estados Unidos, exigindo acesso a provas relacionadas a três tiroteios envolvendo agentes federais, incluindo dois casos que resultaram nas mortes dos civis americanos Renee Good e Alex Pretti. A ação, protocolada nesta terça-feira, 24 de março de 2026, acusa a administração do presidente Donald Trump de reter intencionalmente materiais sobre as investigações, em um conflito que escalou as tensões entre Washington e Minneapolis.
Detalhes do processo e acusações
De acordo com a peça processual, assinada pelo procurador-geral Keith Ellison e pela procuradora do condado de Hennepin, Mary Moriaty, o governo federal descumpriu sua promessa anterior de cooperar com o inquérito estadual. Moriaty declarou: "Estamos preparados para lutar pela transparência e pela responsabilização que o governo federal está desesperado para evitar". Anteriormente, Trump havia sugerido que as autoridades estaduais não tinham jurisdição para investigar os tiroteios, mas a justiça de Minnesota insiste em conduzir suas próprias diligências devido à desconfiança nas investigações federais.
Contexto da operação anti-imigração
A operação anti-imigração, uma das principais bandeiras de Trump desde seu retorno à Casa Branca, reverberou por todo o território dos EUA, mas atingiu seu ápice em Minnesota. Milhares de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foram enviados para a região metropolitana de Minneapolis-Saint Paul, gerando protestos barulhentos e uma greve geral que causou um "apagão econômico". Embora o Departamento de Segurança Interna (DHS) considere a operação um sucesso, ela foi fortemente criticada pela postura dos agentes e pelas mortes de civis.
Mortes de civis e incidentes investigados
As mortes ocorreram em janeiro de 2026 e envolveram diretamente policiais de imigração enviados pela Casa Branca. A poeta Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada na cabeça por um agente do ICE após supostamente avançar com o carro contra ele. O enfermeiro Alex Pretti, também de 37 anos, foi baleado durante um protesto contra a presença do ICE. Ambos os incidentes são investigados pelo DHS, órgão responsável pela operação. Além disso, o processo pede acesso a documentos sobre um terceiro caso envolvendo o venezuelano Julio Cesar Sosa-Celis, baleado e ferido na coxa direita por um agente federal em janeiro. Inicialmente, as autoridades federais denunciaram Sosa-Celis por agressão, mas as acusações foram retiradas, e um novo inquérito foi aberto para apurar se dois agentes mentiram sobre o incidente.
Implicações e próximos passos
Este processo representa uma escalada significativa nos embates entre o estado e o governo federal, destacando questões de jurisdição, transparência e responsabilização em operações de segurança. Minnesota busca não apenas esclarecer as circunstâncias das mortes, mas também estabelecer precedentes para a cooperação entre níveis de governo em investigações sensíveis. A situação continua a evoluir, com potencial para impactar políticas de imigração e aplicação da lei nos Estados Unidos.



