Jorge Messias inicia maratona por votos no Senado após recusa de Alcolumbre
Diante da persistente recusa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em receber o candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, o indicado à sucessão de Luís Roberto Barroso planeja uma estratégia agressiva de aproximação com os parlamentares. Com o retorno dos trabalhos no Senado marcado para o próximo dia 2 de fevereiro, Messias pretende realizar um verdadeiro intensivão em busca de apoio para sua nomeação.
Estratégia de corpo a corpo e principais obstáculos
A ideia central é ampliar o contato direto com os integrantes do Senado, que terão a responsabilidade de analisar e votar o nome do advogado-geral tanto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto no Plenário. Até o momento, Jorge Messias já conversou pessoalmente com cerca de 70 dos 81 senadores, demonstrando um esforço significativo de diálogo.
No entanto, o principal entrave continua sendo Alcolumbre, que desde dezembro não apenas se recusou a receber o indicado, mas também evitou qualquer conversa telefônica. O presidente do Senado tinha seu próprio candidato, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que foi preterido pelo presidente Lula. Pacheco ainda avalia uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais em outubro, conforme deseja o petista.
Projeções para a sabatina e discurso de Messias
Aliados de Messias projetam que, se tudo correr conforme o planejado, a sabatina na CCJ poderá ser agendada para os primeiros dias após o Carnaval. Enquanto isso, o indicado tem enfrentado um cenário de crescente crítica ao STF, tribunal envolvido em investigações sobre casos como o do Banco Master.
Em seu discurso, Messias tem enfatizado pontos-chave para conquistar os congressistas:
- Não será uma extensão de Lula: O advogado-geral afirma que, se aprovado, não atuará como representante do presidente na Corte.
- Crítica ao ativismo judicial: Ele argumenta que o tribunal não deve ser árbitro de contendas políticas, prática que ocorre há anos.
- Experiência e neutralidade: Messias cita mais de 25 anos de serviços públicos e a ausência de filiação partidária como qualificações.
- Atuação na AGU: Destaca acordos para evitar bloqueios de emendas parlamentares e pagamentos a aposentados afetados pelo escândalo do INSS.
Mesmo com esses argumentos, o senador Alcolumbre ainda não se mostrou sensibilizado, mantendo a postura de distanciamento que tem caracterizado este processo de indicação.