Secretário do Tesouro dos EUA afirma que mercado de petróleo está bem abastecido
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, que o mercado global de petróleo está bem abastecido, com um aumento no número de navios transitando pelo estratégico estreito de Hormuz. Esta via marítima é crucial para a economia mundial, pois por ela passa aproximadamente 20% de toda a produção global do commodity.
Declarações de Bessent e ameaças de Trump
Em entrevista à Fox News, Bessent declarou que, com o tempo, os Estados Unidos vão retomar o controle do estreito e garantir a liberdade de navegação, seja por meio de escoltas norte-americanas ou multinacionais. Horas antes, o presidente Donald Trump havia anunciado que o Irã permitiu a passagem de 20 navios-tanque com bandeira do Paquistão por Hormuz, descrevendo a ação como um "presente" para a Casa Branca.
No entanto, Trump também endureceu o discurso contra o Irã, reiterando o alerta para que o país abra o estreito de Hormuz sob o risco de sofrer novos ataques. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente norte-americano afirmou que progressos haviam sido feitos nas negociações, mas advertiu que, se um acordo não fosse alcançado em breve e se o estreito não fosse imediatamente "aberto para negócios", os Estados Unidos concluiriam sua "estadia" no Irã explodindo completamente todas as usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg.
Além disso, Trump ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água potável no Irã. Na semana passada, ele havia afirmado que pausaria os ataques às instalações de energia do país por 10 dias, até 6 de abril. Embora Trump tenha dito que os Estados Unidos e Irã estão progredindo nas negociações, ele também tem enviado mais tropas para a região, levando o regime iraniano a acusar Washington de noticiar negociações enquanto planeja uma invasão terrestre.
Irã rejeita propostas dos Estados Unidos
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, informou que Teerã recebeu mensagens por meio de intermediários indicando a disposição de Washington em negociar, após uma reunião dos ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Turquia em Islamabad no domingo, 29 de março, para discutir esforços de mediação.
Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, Baghaei criticou as propostas dos Estados Unidos, afirmando: "nossa posição é clara. Estamos sob agressão militar. Portanto, todos os nossos esforços e forças estão concentrados em nos defender". Ele também mencionou que o parlamento iraniano está analisando uma possível saída do Tratado de Não Proliferação Nuclear, acordo internacional criado para evitar a proliferação de armas atômicas e promover o uso da energia nuclear para fins pacíficos.
Trump citou a prevenção de que o Irã obtenha armas nucleares como uma das razões para atacar o país em 28 de fevereiro. Por outro lado, Teerã nega veementemente estar buscando um arsenal nuclear, mantendo sua posição de que seu programa nuclear é para fins pacíficos.
Impacto no preço do petróleo
Os eventos no Oriente Médio continuam a influenciar os mercados globais. O contrato de junho do barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 109,44, alta de 3,91%, às 22h (horário de Brasília) de domingo, 29 de março. No entanto, o preço abaixou posteriormente para o patamar entre US$ 107 e US$ 108, refletindo a volatilidade diante das tensões geopolíticas e das declarações contraditórias dos líderes envolvidos.
A situação permanece incerta, com o mercado de petróleo oscilando entre a aparente normalização do tráfego no estreito de Hormuz e as graves ameaças militares que pairam sobre a região. A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, que podem ter repercussões significativas na economia global e na segurança energética.



