Cubanos transformam marcha de Martí em protesto contra ameaças de Trump
Marcha em Havana vira protesto contra ameaças de Trump

Cubanos transformam homenagem a Martí em protesto contra ameaças de Trump

Milhares de cubanos transformaram nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a tradicional Marcha das Tochas em Havana em um vigoroso protesto contra as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionadas à ilha caribenha. O ato, que tradicionalmente homenageia o herói nacional José Martí em seu 173º aniversário, assumiu neste ano um caráter explicitamente anti-imperialista, enviando um recado direto ao governo republicano norte-americano.

Contexto político tenso após queda de Maduro

A manifestação ocorre em um momento de particular tensão geopolítica, apenas semanas após uma operação militar americana em Caracas que resultou na queda do ditador venezuelano Nicolás Maduro, um aliado político e econômico crucial para Cuba. A ilha, que mantinha laços estreitos com o regime chavista e dependia significativamente do petróleo venezuelano, vê-se agora em uma posição ainda mais vulnerável frente às pressões internacionais.

Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários, uma das organizações que convocaram o ato, declarou à multidão reunida aos pés da escadaria da Universidade de Havana: "Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação. Em tempos de ameaça, a firmeza ideológica e a defesa da pátria são essenciais."

Marcha histórica com significado renovado

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, liderou pessoalmente a caminhada em um percurso de aproximadamente um quilômetro. A marcha, realizada tradicionalmente em 27 de janeiro, véspera do aniversário de Martí, recria um desfile histórico organizado na noite de 27 de janeiro de 1953 pelo então estudante e futuro presidente Fidel Castro, em desafio ao governo do ditador Fulgencio Batista.

José Martí, revolucionário que desempenhou papel central na libertação cubana da Espanha, morreu em combate em maio de 1895, na Batalha de Dos Ríos. Sua figura continua sendo um símbolo poderoso da resistência e soberania cubanas.

Ameaças americanas e sanções econômicas

Cuba enfrenta sanções econômicas dos Estados Unidos desde o início da década de 1960, mas as recentes declarações de Trump intensificaram a pressão. No domingo anterior à marcha, o presidente americano sugeriu que uma intervenção militar em Havana não seria necessária, afirmando que a ilha estaria "pronta para cair".

"Não sei se eles vão resistir, mas Cuba agora não tem renda", justificou Trump. "Toda a renda deles vinha da Venezuela, do petróleo venezuelano."

Em outra ocasião, o mandatário norte-americano elevou o tom, orientando Cuba a "chegar a um acordo" com os Estados Unidos, sem especificar os termos, "antes que seja tarde demais".

Posicionamento do governo americano

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, reforçou a retórica pressionando o regime de Havana. Em declarações à emissora americana NBC, Rubio afirmou que Cuba está "em maus lençóis, sim", acrescentando: "Não vou falar sobre quais serão nossos próximos passos e quais serão nossas políticas agora, a esse respeito, mas não acho que seja nenhum segredo que não somos grandes fãs do regime cubano."

O protesto em Havana demonstra como a população cubana, em meio a crescentes desafios econômicos e políticos, mantém sua capacidade de mobilização e defesa da soberania nacional, transformando um evento cultural tradicional em uma plataforma de resistência política.