María Corina Machado espera ser eleita presidente da Venezuela "na hora certa"
María Corina Machado: "Serei eleita presidente na hora certa"

A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, expressou sua confiança em se tornar presidente da Venezuela no momento oportuno. A declaração foi dada em uma entrevista à Fox News, transmitida na sexta-feira, 16 de maio, após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dia antes.

Encontro na Casa Branca e um gesto simbólico

Durante a reunião com o mandatário americano na quinta-feira, 15 de maio, María Corina Machado realizou um ato carregado de significado histórico. Ela decidiu entregar sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump, em um gesto que foi descrito por ele como "maravilhoso" e de respeito mútuo.

Em sua entrevista, a opositora explicou a motivação por trás da ação. "Decidi entregar a medalha ao presidente em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração", afirmou. Ela citou um precedente histórico ocorrido há duzentos anos, quando o general francês Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador da Venezuela, com uma medalha contendo a imagem de George Washington, primeiro presidente dos EUA.

"Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha. Neste caso, o Prêmio Nobel", detalhou Machado. É importante ressaltar que, segundo o Instituto Nobel da Noruega, o prêmio é intransferível, não podendo ser compartilhado ou revogado, permanecendo como uma honra de sua laureada.

Cenário político em transformação e visão de futuro

O contexto político venezuelano passa por uma fase de mudanças após a deposição de Nicolás Maduro, capturado por forças americanas em Caracas no último dia 3 de maio. Delcy Rodríguez, que era vice-presidente, assumiu o comando do regime de forma interina e vem mantendo diálogos com a administração Trump.

O presidente americano já conversou por telefone com Rodríguez, referindo-se a ela como "uma pessoa formidável" e afirmando que Washington "trabalha muito bem" com ela. Trump também já manifestou publicamente que acredita que María Corina Machado "não tem o apoio interno nem o respeito do país" para governar a Venezuela.

Apesar disso, a opositora mantém seu discurso esperançoso. Questionada sobre o futuro do país, ela foi direta: "Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente". Ela complementou dizendo desejar liberdade para os venezuelanos e que almeja construir "um país que será a inveja do mundo".

Trajetória recente e disputa eleitoral

María Corina Machado deixou o território venezuelano com apoio dos Estados Unidos em dezembro, com destino à Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz. No entanto, ela não chegou a tempo da cerimônia de entrega e foi representada por sua filha.

Sua trajetória política recente foi marcada por um obstáculo significativo. A líder oposicionista foi impedida de disputar a eleição presidencial de 2024 por uma decisão da Suprema Corte da Venezuela, controlada pelo regime de Maduro. Naquele pleito, Maduro foi declarado vencedor, mas observadores internacionais consideram que o candidato da oposição, Edmundo González, foi o mais votado.

Enquanto isso, Donald Trump tem destacado suas conquistas em política externa, afirmando ter resolvido oito conflitos ao redor do mundo desde que assumiu o cargo, incluindo o entre Camboja e Tailândia. Ele havia manifestado publicamente o desejo de receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, distinção que acabou sendo concedida a María Corina Machado.