A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, fez um apelo público nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, para que a transição de poder no país seja conduzida da forma mais ordenada e pacífica possível. A declaração foi dada após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no último sábado, dia 3.
Agradecimento a Trump e visão para a América Latina
Em entrevista exclusiva ao portal argentino Infobae, Machado não poupou elogios ao presidente americano, Donald Trump. "Somos profundamente gratos ao Presidente Donald Trump", afirmou, destacando que a ação exigiu "visão, coragem e decisão". Ela defendeu que a intervenção beneficiou não apenas os Estados Unidos, mas também os venezuelanos e todo o continente americano.
A opositora enxerga o episódio como um marco histórico. "Estamos vendo esse movimento acontecer em um hemisfério onde não haverá regimes comunistas, ditatoriais ou narcoterroristas", declarou. Machado foi além e previu um efeito dominó: "Assim que terminarmos de libertar a Venezuela, libertaremos Cuba, libertaremos a Nicarágua".
A ilegitimidade de Maduro e o caminho para a transição
Questionada sobre as críticas internacionais que acusam os EUA de violar o direito internacional, Machado contra-argumentou focando na suposta ilegitimidade do governo de Maduro. Ela relembrou as eleições presidenciais de 2024, contestadas pela oposição, que alega vitória de Edmundo González Urrutia.
"No caso da Venezuela, todos sabem que a soberania foi exercida em 28 de julho, com a eleição de Edmundo González Urrutia como nosso presidente", sustentou. Para ela, a justiça internacional deve servir ao povo, e não a tiranos. Quando perguntada se estava em posição de assumir o poder, a resposta foi um enfático "absolutamente, sim".
Machado também rejeitou o termo "invasão" para descrever a operação norte-americana, preferindo classificá-la como uma "libertação". Ela evitou especular sobre as intenções estratégicas dos EUA, mas foi incisiva ao descrever a atual presidente interina, Delcy Rodríguez, como uma "figura essencial e fundamental em toda a estrutura criminosa" do chavismo.
Os detalhes da prisão e as acusações contra Maduro
Conforme reportagens, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados à força de um quarto dentro do complexo militar Forte Tiuna na madrugada de sábado. Donald Trump afirmou à Fox News que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes no local.
O casal, que alega inocência, está preso no Brooklyn, em Nova York. A prisão foi baseada em um novo indiciamento da promotoria de Manhattan, que acusa Maduro de supervisionar pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado.
As acusações listam parcerias com grupos criminosos violentos, incluindo os cartéis mexicanos Sinaloa e Los Zetas, as FARC colombianas e a gangue venezuelana Tren de Aragua. O documento judicial afirma que Maduro usou sua autoridade para "transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos".
Além de Maduro e Cilia Flores, também foram indiciados o filho do líder, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o líder do Tren de Aragua, Hector Guerrero Flores. O procurador Jay Clayton afirmou que "Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício".
María Corina Machado finalizou reforçando que o povo venezuelano é a força central para uma transição sustentável. O primeiro passo concreto que ela defende é claro: a libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos no país.