
Numa fala que ecoou com a força de quem não está para brincadeira, o presidente Lula soltou o verbo nesta quinta-feira. E o recado, ainda que não endereçado nominalmente a ninguém, tinha destinatário certo: Donald Trump, o ex-presidente norte-americano que recentemente voltou a fazer barulho sobre uma possível intervenção internacional em recursos naturais estratégicos.
"Aqui é terra de índio, mas dono é quem cuida", pareceu ecoar no subtexto do discurso. Lula foi direto ao ponto, sem rodeios: o Brasil não vai permitir que potências estrangeiras venham cobiçar—muito menos tentar controlar—as suas riquezas minerais. Soberania não se negocia.
O X da Questão: Terras-Raras e Poder Geopolítico
Quem acompanha o jogo geopolítico global sabe que o tema não é trivial. Minerais críticos e terras-raras são, simplificando bastante, o novo petróleo. Eles são absolutamente essenciais para a indústria de tecnologia de ponta—de smartphones a carros elétricos, de turbinas eólicas a sistemas de defesa.
O Brasil detém uma das maiores reservas do planeta. E, cá entre nós, isso coloca o país numa posição de poder que muita gente lá fora não vê com bons olhos. A fala de Lula, portanto, soa como um lembrete necessário: não estamos mais nos anos 90, e o Brasil de hoje não é o mesmo de antes.
"Ninguém vai colocar o dedo nos nossos minerais críticos e terras-raras", afirmou o presidente, com uma convicção que fez mais de um analista internacional levantar a sobrancelha. A mensagem foi clara, cristalina como mineral puro: queremos parcerias, sim, mas em nossos termos.
Um Recado que Cruzou Fronteiras
O timing da declaração não pareceu casual. Trump, que busca um retorno à Casa Branca, já havia sinalizado—em seu estilo característico—que poderia adotar uma postura mais agressiva e interventionista em relação a recursos naturais de outros países, sob o pretexto de "segurança nacional" ou "interesse estratégico" dos EUA.
Lula, veterano que é, antecipou o jogo. E fez mais do que isso: reafirmou publicamente que a exploração desses recursos será feita com valor agregado aqui dentro, gerando emprego, tecnologia e desenvolvimento para os brasileiros—não apenas lucro para acionistas estrangeiros.
Não foi uma declaração de guerra, longe disso. Mas foi um aviso. Um lembrete de que a era em que nações poderosas ditavam as regras do jogo unilateralmente está, felizmente, com os dias contados. O Sul Global acordou. E o Brasil, sobretudo, está de olho aberto.