O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta segunda-feira (11), em Brasília, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet. O encontro ocorre em meio às movimentações internacionais em torno da sucessão no comando da Organização das Nações Unidas (ONU). A reunião está marcada para as 15h30, no Palácio do Planalto.
Contexto da sucessão na ONU
Atualmente, o cargo de secretário-geral da ONU é ocupado pelo português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 2026. Michelle Bachelet é um dos nomes cotados nos bastidores diplomáticos para a disputa. Ela governou o Chile em dois mandatos e também comandou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Com trânsito entre líderes da esquerda latino-americana e experiência em organismos multilaterais, Bachelet é vista como uma figura com peso internacional para a sucessão.
Articulação diplomática
A reunião acontece em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar seu protagonismo em fóruns internacionais e fortalecer a articulação política na América Latina. No entanto, a possível candidatura de Bachelet não é consenso no Chile. O atual presidente chileno, José Antonio Kast, ligado à direita e ao Partido Republicano, já sinalizou resistência e retirou o apoio ao nome de Bachelet, apesar de sua nacionalidade chilena.
A escolha do secretário-geral da ONU passa pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — têm poder de veto sobre os candidatos. Antes da definição formal, há intensa articulação diplomática para construir consenso entre os países-membros.
Fortalecimento do Sul Global
Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que uma candidatura latino-americana ao comando da ONU pode fortalecer o discurso defendido por Lula de reformar a governança internacional. O presidente brasileiro tem criticado, em diferentes fóruns, a estrutura atual do Conselho de Segurança da ONU e defendido maior representatividade para países do Sul Global. A chegada de um nome da América Latina ao principal cargo da organização é vista por aliados do governo como um passo simbólico nessa direção.
Candidatos na disputa
Quatro candidatos estão na disputa pelo cargo:
- Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile;
- Rafael Grossi, diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica;
- Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica;
- Macky Sall, ex-presidente do Senegal.
Em 80 anos de existência, a ONU teve nove secretários-gerais, todos homens. Nos bastidores diplomáticos, cresce a avaliação de que a próxima sucessão pode abrir espaço, pela primeira vez, para uma mulher no comando da entidade, cenário que fortalece nomes como o de Bachelet.
Atribuições do secretário-geral
Entre as responsabilidades do secretário-geral da ONU estão:
- liderar o secretariado da ONU e as operações globais;
- levar ao Conselho de Segurança questões que ameacem a paz internacional;
- atuar como mediador, defensor e porta-voz público em crises globais;
- implementar as decisões dos Estados-membros.
Quem é Michelle Bachelet
Michelle Bachelet é médica, socialista e ex-presidente do Chile, tendo governado o país duas vezes: entre 2006 e 2010 e entre 2014 e 2018. No retorno ao cargo, ela assumiu com a promessa de fazer reformas na educação, no sistema tributário e reduzir desigualdades sociais. No cenário internacional, Bachelet ganhou destaque como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, cargo no qual fez críticas a ataques às instituições democráticas e se posicionou em defesa da transparência eleitoral em diferentes países, incluindo o Brasil.
O próximo secretário-geral da ONU começa a ser definido em 2026, quando termina o segundo mandato de António Guterres. A escolha passa primeiro pelo Conselho de Segurança da ONU, que indica um nome para votação na Assembleia Geral, com possibilidade de veto. O novo chefe da organização assume o cargo em 1º de janeiro de 2027 e fica no posto por cinco anos.



