O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou nesta terça-feira (28) o acordo entre Mercosul e União Europeia, classificando o tratado como uma conquista obtida 'a ferro, suor e sangue'. O pacto de livre comércio, negociado por mais de 25 anos entre os dois blocos, entra em vigor de forma provisória na próxima sexta-feira.
Críticas à demora e ao colonialismo
Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula criticou a demora para a conclusão do acordo e declarou que 'quando o acordo vem dos colonizadores para os colonizados, vem com mais rapidez'. O presidente argumentou que, quando os países em desenvolvimento se posicionam com direitos, as negociações se tornam mais difíceis, pois eles se tornam competitivos com produtos de outras nações.
'Esse acordo foi feito a ferro, suor e sangue, porque querem evitar que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro. E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo', acrescentou Lula.
Resposta ao unilateralismo de Trump
O presidente também afirmou que o entendimento entre os blocos representa uma resposta de 'multilateralismo e na relação cordial entre as nações' às políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo ele, adotou 'taxações de forma unilateral com o mundo inteiro'.
Ao comentar a política tarifária da Casa Branca no ano passado, Lula disse que o Brasil buscou ampliar parcerias comerciais. 'Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar. Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país', afirmou.
Tramitação e papel de Portugal
A promulgação do acordo Mercosul-União Europeia ocorre após aprovação pelo Congresso Nacional em março deste ano. Em 21 de abril, durante visita a Lisboa, Lula afirmou que Portugal pode assumir papel estratégico como principal porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros na Europa. Na ocasião, também defendeu o avanço da parceria entre os dois países para além do comércio tradicional, com a incorporação de etapas produtivas em território português.
Em paralelo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que políticos sem voto usam críticas ao STF como 'escada eleitoral'. Já o ministro Flávio Dino defendeu a atuação contra ataques à corte, classificando-os como 'covardia institucional'. As declarações ocorreram durante julgamento na Primeira Turma do tribunal.



