Lula defende que guerra na América Latina deve ser contra a fome, em discurso no Panamá
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso contundente nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá. Organizado pelo CAF, o Banco de Desenvolvimento da América Latina, o evento é frequentemente comparado ao Davos latino-americano por sua relevância econômica e política.
Crítica às divisões globais e recado a Trump
Em suas palavras, Lula afirmou que a única guerra que os países da América Latina e do Caribe precisam travar atualmente é contra a fome e a desigualdade. Ele avaliou que, ao longo da história, o uso da força nunca se mostrou uma alternativa eficaz para superar as dificuldades enfrentadas pelos povos da região.
O petista citou nominalmente os Estados Unidos e lembrou políticas de integração defendidas no passado pelo ex-presidente norte-americano Franklin Roosevelt. No entanto, ele criticou duramente a atual divisão global em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos, classificando esses gestos como anacrônicos e símbolos de retrocesso histórico.
Essa declaração foi interpretada como um claro recado a Donald Trump, que tem promovido o expansionismo geográfico dos Estados Unidos como forma de aumentar a hegemonia norte-americana no cenário internacional.
Proposta de cooperação e desenvolvimento
Lula enfatizou que, para o Brasil e a região, as únicas armas a serem empregadas nessa luta são os investimentos, a transferência de tecnologia e o comércio justo e equilibrado. Ele destacou momentos históricos em que os Estados Unidos souberam ser parceiros no desenvolvimento, mas ressaltou a necessidade de superar as atuais práticas divisórias.
O discurso reforçou a visão do presidente de que a cooperação econômica e social deve prevalecer sobre conflitos geopolíticos, visando um futuro mais próspero e equitativo para a América Latina e o Caribe.