Líderes do Brasil e França abordam temas internacionais em conversa telefônica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, mantiveram um telefonema nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, para discutir assuntos de relevância global. O diálogo, conforme divulgado pelo Palácio do Planalto, centrou-se em três eixos principais: o Conselho de Paz para Gaza, proposto pelos Estados Unidos, a situação na Venezuela após intervenção americana e as negociações do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
Conselho de Paz e fortalecimento das Nações Unidas
Um dos tópicos mais destacados da conversa foi a iniciativa norte-americana de criar um Conselho de Paz para a região de Gaza. Lula e Macron expressaram preocupação com o possível enfraquecimento do papel das Nações Unidas, defendendo o fortalecimento da ONU e alinhando-se aos princípios da Carta da organização. Em comunicado oficial, o Planalto ressaltou que ambos os líderes concordaram que ações de paz e segurança devem respeitar os mandatos do Conselho de Segurança.
Enquanto diversos países, como Arábia Saudita, Argentina, Egito e Israel, já aceitaram participar do Conselho, o Brasil ainda não respondeu ao convite do presidente Donald Trump. Macron, por sua vez, negou formalmente a participação francesa, reforçando a posição crítica em relação à iniciativa.
Condenação da intervenção na Venezuela e estabilidade regional
Os presidentes também trataram da situação na Venezuela, onde uma operação militar dos Estados Unidos resultou na deposição do ditador Nicolás Maduro no início de janeiro. Lula e Macron condenaram o uso da força em violação ao direito internacional, enfatizando a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo.
Horas após a intervenção, Lula havia alertado que a ação americana remetia aos piores momentos de interferência na política latino-americana, ameaçando a região como zona de paz. A conversa com Macron serviu para alinhar posições e reiterar o compromisso com soluções diplomáticas.
Acordo UE-Mercosul e cooperação bilateral
Outro ponto de discussão foi o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que enfrenta resistências, especialmente da parte francesa. Macron tem criticado o pacto por considerar seus benefícios econômicos limitados para a Europa, argumentando que expõe setores agrícolas sensíveis e ameaça a soberania alimentar.
Lula, no entanto, reafirmou sua visão de que o acordo é positivo para ambos os blocos e contribui para o multilateralismo e o comércio baseado em regras. Recentemente, o Parlamento Europeu votou a favor de encaminhar o acordo ao Tribunal de Justiça da UE para revisão de legalidade, indicando os desafios à frente.
Além dos temas internacionais, os líderes deram seguimento ao diálogo sobre cooperação bilateral, com foco em defesa, ciência, tecnologia e energia. Comprometeram-se a instruir suas equipes técnicas a finalizar negociações em curso, visando a conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026.