Lula e Flávio Bolsonaro surpreendidos por jogada de Trump em mina de terras-raras
Lula e Flávio Bolsonaro surpreendidos por Trump em mina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro, representado nas urnas pelo filho Flávio Bolsonaro, foram surpreendidos por uma jogada estratégica do governo de Donald Trump no setor de minerais críticos. A compra da única mina brasileira produtora de terras-raras pela empresa americana USA Rare Earth, localizada em Minaçu (GO), escancarou a falta de uma política nacional consistente para esses recursos essenciais à indústria de alta tecnologia e defesa.

O fascínio de Lula pela própria voz e a tentativa de aproximação com Trump

Lula, conhecido por seu discurso cativante e plateias receptivas, tentou construir uma relação pessoal com Donald Trump. Após um breve encontro na ONU e algumas conversas telefônicas, o presidente brasileiro alimentou expectativas de uma distensão nas relações bilaterais. No entanto, passados cinco meses, nenhum convite para a Casa Branca veio, e a aproximação não se concretizou. Agora, Lula tenta atrair Trump para o jogo eleitoral brasileiro, repetindo a estratégia que usou contra o tarifaço americano de 2025: reforçar a imagem de defensor da soberania nacional.

A surpresa diplomática e a realidade geopolítica

Enquanto Lula discursava na Europa sobre a "soberania mineral", prometendo que ninguém seria dono das riquezas do Brasil, a USA Rare Earth, financiada por um fundo público americano, concluía a aquisição da mina goiana. O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, destacou que o depósito de argila iônica é do mesmo tipo dos que sustentam a hegemonia chinesa no setor. "Esse ativo geológico não se encontra em catálogo. Ele simplesmente existe, e agora existe nos Estados Unidos", afirmou.

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O embate eleitoral e a promessa de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, em discurso a ativistas republicanos em Miami, prometeu aos EUA "cadeias de suprimento seguras para materiais críticos". Metade das reservas desses minerais está na Amazônia, região que seu pai, Jair Bolsonaro, ofereceu para exploração ao governo Trump. Lula, por sua vez, critica a oposição e tenta capitalizar o episódio para reduzir sua alta rejeição, que ultrapassa 50% nas pesquisas.

A inércia nacional e o futuro incerto

O Brasil possui reservas de quase todos os 24 minerais estratégicos, mas há quase uma década não define uma política setorial clara. Permanece a dúvida se o país se limitará à exploração e exportação de terras-raras ou se avançará na industrialização integrada em inteligência artificial, alta tecnologia e defesa. Enquanto isso, o cenário geopolítico se intensifica, com os EUA e a China disputando esses recursos, e o Brasil patina na gerência do atraso.

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