Lula critica Trump por querer 'governar o mundo pelo Twitter' em evento no RS
Lula critica Trump por querer governar mundo pelo Twitter

Após um período de trégua nas declarações públicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou nesta terça-feira, dia 20, suas críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante um evento realizado em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, o mandatário brasileiro fez afirmações contundentes sobre o político norte-americano.

Críticas diretas a Trump

Em seu discurso, Lula questionou a forma como Trump utiliza as redes sociais, especialmente o Twitter, para se comunicar e influenciar a política global. "Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Fantástico, todo dia fala uma coisa", declarou o presidente, em tom irônico.

Lula prosseguiu, levantando uma reflexão sobre o respeito no tratamento às pessoas: "Você acha que é possível, gente, tratar o povo com respeito se não olhar no rosto?". A fala do petista sugere uma crítica à falta de interação direta e humanizada na comunicação política via plataformas digitais.

Contexto do evento no Rio Grande do Sul

A declaração ocorreu durante a cerimônia de entrega de 1.276 unidades habitacionais do programa "Minha Casa, Minha Vida" na região sul do estado. Segundo informações do governo federal, essas moradias devem beneficiar aproximadamente 5 mil pessoas, atendendo famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850, enquadradas na faixa 1 do programa.

Os imóveis entregues seguem a modalidade "entidades", na qual os beneficiários participam ativamente da organização e execução dos projetos, em parceria com entidades da sociedade civil. Essa abordagem busca promover maior engajamento comunitário e sustentabilidade nas ações habitacionais.

Reconstrução pós-enchentes

O evento também destacou os esforços de reconstrução no Rio Grande do Sul após as graves enchentes que assolaram a região. O governo federal destinou R$ 6,5 bilhões em créditos extraordinários para o "Minha Casa, Minha Vida Reconstrução".

De acordo com o Executivo, a modalidade "Compra Assistida" já permitiu a aquisição de imóveis para mais de 9,5 mil famílias que perderam suas casas devido aos desastres naturais. Essas ações visam amenizar os impactos sociais e econômicos causados pelas inundações.

Cenário político e eleitoral

As declarações de Lula ocorrem em um contexto de crescente especulação sobre o cenário eleitoral brasileiro para 2026. Em agosto do ano passado, uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest indicava que o presidente Lula perderia para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em uma eventual disputa no segundo turno das eleições presidenciais.

No entanto, a mais recente pesquisa, a primeira conduzida neste ano, mostra uma vantagem para Lula na disputa hipotética. Os dois políticos ocupam posições distintas no espectro político nacional:

  • Lula (PT): Governa com base em uma agenda de fortalecimento de políticas sociais e atuação do Estado na economia, mantendo uma postura mais intervencionista.
  • Eduardo Leite (PSD): Busca se apresentar como um nome de perfil mais centrista, com discurso voltado ao equilíbrio fiscal e à gestão administrativa eficiente.

A comparação entre os dois ganha espaço no debate político, especialmente porque o governador é frequentemente citado como uma possível alternativa fora da polarização tradicional que tem marcado as eleições brasileiras. Essa dinâmica pode influenciar tanto as estratégias de comunicação quanto as alianças partidárias nos próximos anos.

As críticas de Lula a Trump, portanto, não apenas refletem tensões nas relações internacionais, mas também se inserem em um momento de definições políticas internas, onde cada declaração pode reverberar no cenário eleitoral em formação.