Lula critica Conselho de Segurança da ONU em cúpula na Colômbia: 'São eles que fazem guerras'
Lula critica ONU em cúpula na Colômbia por falta de ação em guerras

Durante sua participação na cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Bogotá, capital da Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e à falta de ação da organização diante de conflitos globais. O evento reuniu representantes dos 33 países da região, com Lula sendo um dos poucos chefes de estado presentes pessoalmente neste sábado (21).

Presença de lideranças regionais

Além do mandatário brasileiro, estiveram no encontro o presidente colombiano Gustavo Petro, o uruguaio Yamandu Orsi, além dos primeiros-ministros da Guiana e de São Vicente e Granadinas, arquipélago caribenho. Os demais países enviaram representantes diplomáticos para a reunião que marcou a transição da presidência da Celac da Colômbia para o Uruguai.

Discurso contundente sobre guerras

Pela manhã, Lula participou do primeiro fórum de alto nível Celac-África, destinado a discutir formas de cooperação entre América Latina e nações africanas. Em seu pronunciamento, o presidente brasileiro voltou a criticar conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio, direcionando suas críticas especialmente à atuação das Nações Unidas.

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"O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas", afirmou Lula durante seu discurso. "O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras", completou o presidente, em declaração que repercutiu entre os participantes.

Defesa de reforma no Conselho de Segurança

Lula voltou a cobrar reformas estruturais no Conselho de Segurança da ONU, órgão composto por cinco membros permanentes com direito a veto: China, Reino Unido, França, Rússia e Estados Unidos. O presidente argumentou que não há representação adequada da América Latina e da África no organismo, apesar das duas regiões representarem aproximadamente um quarto da população mundial.

Segundo o mandatário brasileiro, essa sub-representação contribui para decisões desequilibradas e para a perpetuação de conflitos que poderiam ser evitados com uma composição mais diversa e democrática do principal órgão de segurança internacional.

Agenda interrompida

Devido a atrasos na programação do evento, o presidente Lula precisou retornar ao Brasil antes da conclusão da cúpula. Sua representação nos trabalhos finais ficou a cargo do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que acompanhou os debates restantes e a cerimônia de passagem da presidência da Celac para o Uruguai.

A participação de Lula na cúpula colombiana reforçou seu posicionamento crítico em relação à arquitetura de segurança internacional, tema que tem sido recorrente em seus discursos internacionais desde o retorno à presidência. O presidente brasileiro defende que a reforma das instituições multilaterais é essencial para enfrentar os desafios globais contemporâneos de forma mais equitativa e eficaz.

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