A temporada Cruise 2027 trouxe três desfiles marcantes de Dior, Chanel e Gucci, cada um transformando roupa em narrativa. Em comum, a ideia de que o luxo contemporâneo busca menos rigidez e mais personalidade.
Dior: Hollywood e cinema
Em Los Angeles, Jonathan Anderson apresentou a coleção Cruise 2027 da Dior nas novas galerias David Geffen, no LACMA. Inspirada por uma peça de alta-costura de 1949 usada por Marlene Dietrich, a coleção mesclou glamour vintage e irreverência pop. Vestidos de renda bordada refletiam flashes de tapete vermelho, enquanto casacos de shearling evocavam o frio elegante de Malibu. Papoulas californianas surgiam em bordados, e Sabrina Carpenter, na primeira fila, usou um look amarelo. Ternos masculinos com lantejoulas e chapéus de Philip Treacy, em referência a Isabella Blow, completaram o cenário.
Chanel: liberdade em Biarritz
Matthieu Blazy, em sua primeira coleção Cruise pela Chanel, levou a marca a Biarritz, onde Gabrielle Chanel abriu sua primeira maison em 1915. Na Villa de Larralde, o tweed ganhou versões elásticas e luminosas com paetês iridescentes. Uniformes náuticos foram reinterpretados com leveza esportiva, e lenços de seda, conjuntos de algodão e vestidos fluidos reforçaram a ideia de roupas para viver. O duplo C tornou-se elemento estrutural, sustentando drapeados. Acessórios incluíam bolsas gigantes de praia, joias em forma de conchas e sapatos bicolores com estilo Art Déco.
Gucci: espetáculo urbano em Times Square
Demna transformou a Times Square em uma instalação viva para a Cruise 2027 da Gucci, intitulada “GucciCore”. Telões exibiam propagandas fictícias da marca, como Gucci Gym e Gucci Pets. O casting reuniu Paris Hilton, Tom Brady, Cindy Crawford, Emily Ratajkowski, Candice Swanepoel, Anok Yai e Alex Consani. A coleção explorava arquétipos urbanos: ternos risca de giz, denim, casacos técnicos reversíveis e estolas dramáticas em couro. Demna definiu o GucciCore como um guarda-roupa permanente e pragmático, profundamente ligado à identidade da casa.
Os três desfiles apontam para uma tendência: menos fantasia inalcançável e mais construção de universos. As marcas não vendem apenas roupas, mas cidades, atmosferas, memórias e personalidades. O luxo contemporâneo quer criar mundos inteiros.



