A nova presidente da Costa Rica, Laura Fernández, tomou posse nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, dando continuidade ao projeto de linha-dura e concentração de poderes iniciado por seu antecessor, Rodrigo Chaves. A cerimônia de grande escala ocorreu no Estádio Nacional de San José, onde Fernández prestou juramento para um mandato de quatro anos.
Fernández, de 39 anos, é cientista política e atuou como ministra da Presidência durante o governo de Chaves. Ela venceu confortavelmente as eleições de 1º de fevereiro, impulsionada pela popularidade de seu mentor. Em seu discurso de posse, prometeu lidar com o avanço do narcotráfico na pequena nação centro-americana, que possui 5,2 milhões de habitantes. A Costa Rica, embora seja um destino turístico atraente e uma das democracias mais consolidadas da região, tem enfrentado um aumento de assassinatos ligados ao tráfico de drogas.
“Quero andar na rua e não temer um tiroteio. O país se afundou na violência”, disse a dona de casa Nancy Gutiérrez, 50 anos, em entrevista à AFP. Inspirada pela experiência de Nayib Bukele em El Salvador, Fernández defende medidas duras contra organizações criminosas e prometeu construir uma penitenciária de segurança máxima nos moldes do controverso CECOT salvadorenho.
A ascensão de Fernández ocorre em um momento de consolidação da direita na América Latina, com vitórias recentes no Chile, Bolívia e Honduras. “A mudança será profunda e irreversível”, declarou a presidente. Para alcançar seus objetivos, ela manteve quase todo o gabinete de Chaves e nomeou o antecessor como Ministro da Presidência e das Finanças. Além disso, contará com uma maioria de 31 legisladores no Congresso, o que facilitará a aprovação de suas reformas, que incluem mudanças no Poder Judiciário, visto por ela como um obstáculo à segurança nacional.
Especialistas alertam que a gestão de Fernández pode levar a uma hegemonia semelhante à de Bukele, que usou sua popularidade para acumular poder e buscar reeleição indefinida. A presença de Chaves no governo também levanta preocupações sobre uma possível submissão da nova presidente. “Estamos vivendo uma diarquia (governo compartilhado)”, afirmou o cientista político argentino Daniel Zovatto, que considera o cenário “muito perigoso” devido à concentração de poderes e às “tentações autoritárias” de Chaves.



