Kristi Noem, a 'Barbie do ICE', enfrenta pressão bipartidária após mortes e detenção de criança
Kristi Noem, 'Barbie do ICE', sob fogo cruzado nos EUA

Kristi Noem, a 'Barbie do ICE', enfrenta pressão bipartidária após mortes e detenção de criança

A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, está no centro de uma tempestade política que uniu rivais históricos em um raro momento de convergência. Apelidada de "Barbie do ICE" por seus críticos, em referência à polícia de imigração do governo Trump, Noem vê sua posição se deteriorar rapidamente após uma série de incidentes controversos em Minnesota.

Críticas bipartidárias e incidentes recentes

Republicanos e democratas têm feito apelos conjuntos para a remoção de Kristi Noem de seu cargo no Departamento de Segurança Interna (DHS). A situação se agravou após a morte de um manifestante no estado de Minnesota no sábado, 24 de janeiro, e a divulgação de imagens que mostram a detenção de uma criança de apenas cinco anos por agentes do ICE.

O manifestante, identificado como Alex Pretti, era um enfermeiro que foi morto pela polícia imigratória, sendo o segundo cidadão americano a falecer em confrontos com o ICE no estado neste mês. Anteriormente, no dia 7 de janeiro, a poeta Renée Nicole Good também foi alvejada por agentes em circunstâncias similares.

Resposta de Noem e reações políticas

Kristi Noem, responsável por conduzir a cruzada anti-imigração do ex-presidente Donald Trump, definiu o manifestante Alex Pretti como um "terrorista doméstico", declaração que causou indignação generalizada no Congresso americano. A secretária se recusa a reconhecer excessos nas ações de seus agentes, mantendo uma postura de linha-dura que caracteriza sua gestão.

Embora Trump continue apoiando publicamente sua secretária, demonstrou descontentamento com as declarações recentes ao redirecionar Noem para gerenciar os estragos causados por uma onda de frio extremo que atinge o país. Preocupado com o desgaste político, o republicano enviou Tom Homan, conhecido como "Czar da fronteira", para suavizar a situação em Minnesota.

Contexto histórico e controvérsias pessoais

Kristi Noem, que serviu como governadora da Dakota do Sul entre 2019 e 2025, coleciona episódios controversos ao longo de sua trajetória política. Em seu livro "No Going Back" (Sem Volta, em tradução livre), ela relata ter assassinado seu cão de estimação, Cricket, por considerá-lo indomável, além de descrever como matou uma cabra na fazenda de sua família.

Sob sua gestão no DHS, as agências federais responsáveis pela política imigratória, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha da Fronteira, receberam aumentos significativos no orçamento. O ICE, em particular, conseguiu dobrar seu efetivo para 22 mil agentes, refletindo a prioridade dada à aplicação rigorosa das leis de imigração.

Impacto e perspectivas futuras

A detenção da criança de cinco anos e as mortes de cidadãos americanos em Minnesota intensificaram o debate sobre os métodos utilizados pelo ICE e a gestão de Kristi Noem. A circulação das imagens nas redes sociais amplificou a revolta pública contra políticas consideradas excessivamente agressivas.

Enquanto isso, Noem permanece no comando do DHS, supervisionando as duas principais agências utilizadas pelo governo para implementar sua caça a imigrantes ilegais. A pressão bipartidária, no entanto, sugere que sua permanência no cargo pode estar ameaçada, dependendo da evolução dos acontecimentos e da resposta da administração Trump aos incidentes.