Chile: Kast enfrenta primeira onda de protestos após cortes na educação e alta de combustíveis
Milhares de chilenos saíram às ruas de Santiago na quinta-feira, 25 de março de 2026, para protestar contra o governo de extrema direita de José Antonio Kast, apenas duas semanas após sua posse. Os manifestantes, liderados por estudantes do ensino médio vestidos com seus uniformes escolares, marcharam pela avenida Alameda, no centro da capital, em resposta aos anúncios de cortes no financiamento educacional e aumentos significativos nos preços dos combustíveis.
Cortes na educação e ajuste fiscal
O novo presidente chileno ordenou um corte de 3% no orçamento de todos os ministérios, incluindo o da Educação, como parte de sua política de austeridade. A meta é reduzir o gasto público em aproximadamente US$ 6 bilhões (cerca de R$ 31,4 bilhões) nos próximos 18 meses. Além disso, o governo avalia estabelecer um limite de acesso à educação universitária gratuita para novos estudantes com mais de 30 anos, o que tem gerado preocupação entre os manifestantes.
"Não merecemos este Kastigo", diziam alguns dos cartazes erguidos pelos estudantes, em um trocadilho com o sobrenome do presidente, expressando o descontentamento com as medidas propostas.
Aumento nos preços dos combustíveis
O governo de Kast também anunciou um forte corte no subsídio estatal aos combustíveis, resultando em aumentos de 30% na gasolina e 60% no diesel. Essa medida, justificada pela necessidade de ajuste fiscal e pelos impactos da guerra no Oriente Médio, levou motoristas a formarem filas em postos de combustível para antecipar o abastecimento antes da entrada em vigor dos novos valores.
Confrontos e resposta do governo
Durante a marcha, que passou em frente ao Palácio de La Moneda, houve confrontos com a polícia, que dispersou os manifestantes com canhões d'água. O governo havia blindado o centro de Santiago com barreiras, fechamento de estações de metrô, desvio do tráfego e um grande contingente policial para conter os protestos.
Enquanto isso, na residência presidencial, Kast promulgava sua primeira lei de "Emergência Energética", que inclui um bônus de 110 dólares (R$ 575) para taxistas e motoristas de transporte escolar. O presidente pediu que os manifestantes não usassem o transporte público, especialmente o metrô, para protestar, lembrando os acontecimentos de 2019, quando o aumento do custo do metrô desencadeou a maior onda de protestos no Chile desde o fim da ditadura.
Contexto político e social
Os protestos representam o primeiro grande desafio para o governo de Kast, que assumiu o poder com promessas de austeridade e redução de gastos públicos. No entanto, seus opositores duvidam que ele consiga implementar essas medidas sem afetar benefícios sociais essenciais, como a educação e o acesso a combustíveis a preços acessíveis.
A situação reflete tensões sociais profundas no Chile, onde questões como desigualdade e acesso a serviços públicos continuam a ser pontos de conflito. Os manifestantes temem que novos ajustes sejam propostos, potencialmente exacerbando as dificuldades econômicas enfrentadas por muitos chilenos.



