O presidente do Chile, José Antonio Kast, tomou uma decisão drástica na terça-feira, 19 de maio, ao demitir duas importantes integrantes de seu gabinete ministerial: a ministra da Segurança Pública, Trinidad Steinert, e a ministra da Secretaria-Geral do Governo, Mara Sedini. A medida ocorre menos de três meses após o início do governo, marcando a reformulação ministerial mais rápida desde o retorno do país à democracia, em 1990.
Baixa avaliação e senso de urgência
De acordo com pesquisas recentes, Steinert e Sedini estavam entre os membros do governo com pior avaliação popular. Kast justificou a demissão com base no que chamou de "senso de urgência" diante dos desafios enfrentados pelo Chile e na necessidade de responder às tarefas que o país lhe confiou. "Eu não esperava fazer essa mudança no gabinete. Não era o que eu tinha em mente para esta fase de governo", afirmou o presidente durante a cerimônia de posse dos novos ministros.
Novos nomes no governo
Para substituir Steinert, Kast nomeou Martín Arrau, que anteriormente ocupava o cargo de ministro de Obras Públicas. Já a pasta da Secretaria-Geral do Governo será acumulada pelo ministro do Interior, Claudio Alvarado Andrade. "Tivemos que tomar medidas impopulares, e isso atinge qualquer governo, mas as tomamos com convicção. É essencial arrumar a casa e é o que temos feito esse tempo, para que os investidores voltem a confiar no Chile", acrescentou Kast.
Promessa de linha dura contra o crime
A reformulação ministerial ocorre em um contexto de queda na popularidade do governo, que enfrenta críticas pela falta de resultados rápidos em sua promessa de campanha de uma abordagem de "linha dura" contra o crime. A última pesquisa semanal do Cadem registrou uma taxa de desaprovação de 57% para o presidente chileno, enquanto a aprovação ficou em 36%, a mais baixa desde que ele assumiu o poder.
Nos últimos dias, a ex-ministra de Segurança Pública foi alvo de críticas de diferentes setores políticos por não apresentar um plano de segurança concreto para o país, uma das principais promessas de Kast durante a campanha eleitoral. Em entrevista à Rádio Agricultura na última sexta-feira, Steinert declarou: "Não se esperava a exigência de um plano de segurança estruturado e concreto". A declaração gerou ainda mais descontentamento entre a população, que cobra resultados rápidos da prometida política de segurança.



