José Antonio Kast assume Presidência do Chile como o mandatário mais radical desde Pinochet
Kast assume Presidência do Chile como mandatário mais radical desde Pinochet

José Antonio Kast assume Presidência do Chile como o mandatário mais radical desde Pinochet

O advogado de extrema direita José Antonio Kast assumiu oficialmente nesta quarta-feira (11) a Presidência do Chile, tornando-se o mandatário conservador mais radical no país desde a ditadura de Augusto Pinochet, que governou a nação entre 1973 e 1990. A cerimônia solene ocorreu diante do plenário do Congresso na cidade de Valparaíso, localizada a aproximadamente 110 quilômetros da capital Santiago.

Cerimônia de posse e primeiros atos

Com a declaração "Sim, juro", Kast formalizou seu compromisso perante o Congresso, que possui maioria de direita, sendo recebido com aplausos de seus aliados políticos. O novo presidente sucede o esquerdista Gabriel Boric, que esteve no poder durante os últimos quatro anos. Entre os primeiros atos de Kast como mandatário, destacou-se a tomada de juramento dos 24 ministros que compõem seu gabinete, incluindo dois advogados que defenderam Augusto Pinochet durante seu regime.

Após a cerimônia, Kast embarcou no tradicional Ford Galaxie preto conversível, um veículo presenteado ao Chile em 1968 pela rainha Isabel II da Inglaterra, e saudou seus apoiadores sob um sol intenso. A posse contou com a presença de diversos líderes latino-americanos, como Javier Milei da Argentina, Rodrigo Paz da Bolívia e Daniel Noboa do Equador, além de representantes internacionais como o subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, e a Nobel da Paz venezuelana María Corina Machado.

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Promessas de governo e contexto político

Kast, de 60 anos, chega à Presidência com a promessa de instaurar um "governo de emergência" para enfrentar com mão dura a criminalidade e a imigração irregular, questões que se tornaram as maiores preocupações dos chilenos. "As coisas vão mudar", afirmou o presidente a jornalistas minutos antes de assumir o cargo, condenando um ataque a tiros contra um policial ocorrido no sul do país durante a madrugada.

Analistas políticos destacam que Kast representa "uma direita conservadora como não se conhecia desde o retorno à democracia" em 1990, conforme afirmou Rodrigo Arellano, da Universidade do Desenvolvimento. Seu discurso tem atraído chilenos que buscam frear a criminalidade, como expressou o vendedor José Miguel Uriona, de 65 anos: "Minhas expectativas são esperançosas com Kast. Levamos muitos anos com muito vandalismo e muita criminalidade".

Desafios e expectativas da população

Apesar do aumento de homicídios e sequestros nos últimos anos, com a chegada de gangues estrangeiras como o Tren de Aragua, o Chile ainda mantém uma das taxas de homicídio mais baixas da América Latina, registrando 5,4 por 100 mil habitantes em 2025. Contudo, durante sua campanha eleitoral, Kast apresentou o país quase como um Estado falido dominado pelo narcotráfico, realizando diversos discursos atrás de vidros blindados por questões de segurança.

A nova porta-voz do governo, Mara Sedini, afirmou que a administração tem como missão "solucionar crises que são importantes e prioritárias para os chilenos", focando na recuperação do crescimento econômico e na segurança migratória. No entanto, especialistas como o cientista político Alejandro Olivares alertam que o gabinete ministerial possui "pouquíssima experiência em negociação e manejo político", o que pode criar conflitos com o Congresso.

Contexto familiar e gestos simbólicos

Investigações jornalísticas revelaram em 2021 que o pai de Kast, nascido na Alemanha, era membro do Partido Nazista de Adolf Hitler. O presidente alega que seu pai foi recrutado para o exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega qualquer simpatia pelo movimento nazista. Em um gesto simbólico comum entre novos mandatários, Kast oficializou sua renúncia ao Partido Republicano durante a manhã de sua posse, buscando garantir a independência em seu governo.

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Kast se soma assim aos governos de direita que crescem na região sob influência dos Estados Unidos, enquanto os chilenos abandonaram o anseio por uma nova Constituição que surgiu com os protestos sociais de 2019. Para muitos, como a estudante Ingrid Pino, de 38 anos, o país entra em "uma nova era, um novo começo", com esperanças de que "o país cresça economicamente e que a criminalidade finalmente possa acabar e possamos viver tranquilos".