Justiça dos EUA analisa ação para expulsar agentes do ICE de Minnesota após mortes
Justiça dos EUA analisa expulsão de agentes do ICE em Minnesota

Justiça dos Estados Unidos analisa pedido para expulsar agentes do ICE de Minnesota

A juíza federal Kate M. Menendez está analisando um pedido para expulsar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) do estado de Minnesota. Advogados locais argumentam que o envio de 3.000 agentes de imigração configura uma ocupação inconstitucional e ilegal, intensificando o embate após mortes de cidadãos americanos.

Audiência judicial e argumentos legais

Nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, a juíza Menendez ouvirá argumentos sobre a concessão de uma ordem de restrição temporária ou liminar contra a presença do ICE em Minnesota. O processo, aberto há duas semanas, baseia-se na 10ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que reserva poderes não delegados ao governo federal aos estados ou ao povo.

Advogados do estado e das cidades de Minneapolis e St. Paul alegam que o envio dos agentes é motivado por desejo de punir oponentes políticos e obter vantagens partidárias. Minnesota é governado pelo democrata Tim Walz, vice na campanha presidencial de Kamala Harris, o que adiciona um contexto político ao conflito.

Mortes recentes e tensões crescentes

O processo foi protocolado após a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada na cabeça por um agente de imigração durante uma blitz em Minneapolis em 7 de janeiro. As tensões aumentaram ainda mais no fim de semana, quando agentes federais atiraram e mataram o enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, que aparentemente filmava os agentes na zona sul de Minneapolis.

Vídeos verificados pelo The New York Times contradizem a versão do Departamento de Segurança Interna, mostrando Pretti segurando apenas um celular, com uma arma no coldre, sem movimentos para sacá-la. Em resposta, o governo Trump alegou que Pretti colocou os agentes em risco e praticou terrorismo doméstico.

Apelos dos advogados e resposta do governo

Os advogados apelaram à juíza para suspender temporariamente o destacamento de agentes, argumentando que a presença deles causou pânico entre os moradores e colocou em risco a segurança pública. Eles pedem o retorno ao nível anterior de agentes no estado e a restrição das ações daqueles que permanecerem.

Em carta enviada após o tiroteio de Pretti, os advogados reiteraram que a situação é grave e que isto não pode continuar, destacando a necessidade de ação judicial para evitar mais mortes. Por outro lado, o governo Trump salientou ao tribunal que expulsar agentes federais constituiria um ato sem precedentes de abuso de poder judicial, defendendo a legalidade da Operação Metro Surge.

Protestos e impacto social

Enquanto a audiência ocorre, as manifestações contra o ICE continuam a todo vapor. Na última sexta-feira, 23 de janeiro, Minnesota foi paralisado por uma greve que promoveu um apagão econômico, com fechamento de escolas e lojas, em protesto batizado de Dia da Verdade e da Liberdade. Organizado por líderes comunitários, religiosos e sindicatos, o ato convocou a população às ruas de Minneapolis.

Este caso reflete um conflito mais amplo sobre imigração e federalismo nos Estados Unidos, com implicações para a segurança pública e os direitos estaduais.