Decisão judicial paralisa ambicioso projeto de Trump na Casa Branca
Um juiz federal ordenou nesta terça-feira, 31 de março, a imediata interrupção das obras de construção de um luxuoso salão de festas na Ala Leste da Casa Branca, iniciativa pessoal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão representa um significativo revés para os planos do mandatário, que pretendia transformar parte da residência oficial.
Fundamento legal: presidente não é proprietário
O magistrado Richard Leon foi enfático em sua fundamentação, afirmando que Trump atua como "administrador" da Casa Branca, mas "não é o proprietário" do imóvel histórico. Segundo a sentença, a obra de grande porte, que altera substancialmente a fachada do edifício, necessita de autorização expressa do Congresso Nacional.
"Nenhum estatuto confere nem de longe ao presidente a autoridade que ele afirma ter", declarou o juiz, destacando a necessidade de observância aos procedimentos legais para intervenções em patrimônio público federal.
Ação movida por organização de preservação histórica
A determinação judicial atende a uma ação proposta pelo National Trust, entidade sem fins lucrativos dedicada à supervisão e conservação de edificações históricas nos Estados Unidos. A organização argumentou que o projeto, com custo estimado em impressionantes US$ 400 milhões (equivalente a aproximadamente R$ 2 bilhões), viola normas de preservação do patrimônio.
Trump, por sua vez, defendeu a iniciativa, afirmando que o empreendimento é integralmente financiado por doadores privados, incluindo apoiadores políticos e empresas aliadas, sem qualquer ônus para os contribuintes americanos.
Detalhes do projeto e controvérsia
O ambicioso salão de festas, concebido para acomodar até mil pessoas, substituiria estruturas temporárias instaladas nos jardins da Casa Branca. O presidente, que possui vasta experiência no setor imobiliário, manifestou o desejo de deixar este projeto como parte de seu legado presidencial.
Contudo, o juiz revelou que Trump decidiu, em outubro, demolir a Ala Leste – uma extensão térrea do prédio principal – sem consultar especialistas jurídicos, caracterizando uma atitude unilateral que ignora salvaguardas legais.
Reação de Trump e próximos passos
Através de sua rede social Truth Social, o presidente criticou veementemente a decisão judicial, alegando que o projeto está "abaixo do orçamento" e "adiantado no cronograma". Ele reafirmou que a obra não gerará custos para os cofres públicos.
A sentença determina que as obras permaneçam totalmente suspensas até que o Congresso americano aprove formalmente o projeto. Esta batalha legal ilustra os limites do poder executivo frente ao controle de outros poderes e à preservação de bens históricos nacionais.



