Iraniano condenado à morte é libertado sob fiança após pressão internacional
O manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, que havia sido condenado à morte por participar de protestos contra o governo, foi libertado sob fiança nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026. A soltura foi confirmada pela mídia estatal iraniana Press TV e pela organização de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, marcando um desfecho dramático em um caso que ganhou repercussão global.
Detenção e acusações em meio a protestos violentos
Soltani foi preso em 10 de janeiro em sua casa na cidade de Fardis, localizada a aproximadamente 40 quilômetros a oeste de Teerã. As autoridades iranianas o acusaram de reunião e conspiração contra a segurança interna do país e de atividades de propaganda contra o regime, conforme relatado pela emissora estatal IRIB. Sua detenção ocorreu durante a violenta repressão das forças de segurança iranianas aos protestos anti-governo que abalaram o país no mês passado.
Os protestos representaram a maior ameaça ao regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979, com as forças de segurança respondendo de forma brutal. Segundo a ONG Hrana, com sede nos Estados Unidos, mais de 6 mil pessoas foram mortas e outras 40 mil foram presas durante os distúrbios, enquanto cerca de 11 mil mortes ainda estão sob investigação.
Ameaças de Trump e pressão por acordo nuclear
A libertação de Soltani veio na esteira de uma série de ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu responder com ações militares caso manifestantes fossem executados no Irã. Em postagens em suas redes sociais, Trump encorajou os iranianos a tomarem o controle das instituições do país e garantiu que ajuda está a caminho, embora nenhuma ação militar tenha sido tomada até o momento.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu que milhares de iranianos perderam a vida durante os protestos, mas atribuiu parte das baixas a Trump, acusando-o de incentivar abertamente os manifestantes. Em um tom desafiador, Khamenei advertiu que um ataque americano enfrentaria uma forte retaliação, afirmando que se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional.
Enquanto isso, a pressão por um acordo nuclear intensificou-se. Trump exigiu que o Irã se sentasse à mesa de negociações para um acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES, alertando que um próximo ataque americano seria muito pior do que o realizado em 2025 contra instalações nucleares iranianas. Os Estados Unidos também reforçaram sua presença militar na região com o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln.
Controvérsias e negações sobre a pena de morte
Inicialmente, a Hengaw, o Departamento de Estado americano e um parente de Soltani afirmaram que as autoridades iranianas planejavam executá-lo, em um país conhecido por uma das maiores taxas de pena capital do mundo. No entanto, a Justiça do Irã descartou essas informações como notícias fabricadas, e posteriormente, a família de Soltani comunicou que a execução havia sido adiada.
Trump disse ter recebido garantias de fontes confiáveis de que não havia planos para a aplicação da pena de morte contra manifestantes no Irã, o que diminuiu temporariamente o grau de suas ameaças de intervenção. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou ter recebido um ultimato dos Estados Unidos para a conclusão de um acordo nuclear, mas mencionou que uma estrutura para negociações seria definida nos próximos dias.
Este caso destaca a tensão crescente entre o Irã e os Estados Unidos, com a libertação de Erfan Soltani servindo como um exemplo das complexas dinâmicas políticas e humanitárias em jogo na região.