
E então o Irã decidiu dar uma daquelas jogadas de mestre — ou será de desespero? A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) finalmente conseguiu o que parecia impossível: acesso a algumas instalações nucleares iranianas. Mas calma lá, que a coisa não é tão bonita quanto parece.
Segundo fontes próximas ao assunto, Teerã está permitindo as tais inspeções, mas com uma série de restrições que deixam a comunidade internacional de cabelos em pé. É aquela velha história: eles abrem uma porta, mas fecham três janelas.
Rafael Grossi, o diretor-geral da AIEA, não escondeu sua frustração. Num tom que misturava alívio com preocupação, ele admitiu que o acesso é «limitado» — eufemismo diplomático para «insuficiente». A sensação é que estamos vendo um teatro nuclear, onde cada lado tenta ganhar tempo sem ceder o que realmente importa.
O que está em jogo?
No centro dessa dança delicada estão aquelas suspeitas de sempre: o Irã estaria desenvolvendo tecnologia nuclear com fins militares, não apenas civis. Eles negam, claro, mas as evidências circunstanciais são mais persistentes que mosca em churrasco.
O problema é que sem cooperação plena, as inspeções tornam-se pouco mais que visitas guiadas. Imagina chegar numa festa e só poder ficar na entrada — é basicamente isso que a AIEA enfrenta.
E as consequências?
Bem, o Conselho de Segurança da ONU está com a faca e o queijo na mão, mas sem saber direito como cortar. Sanções mais duras? Diálogo? A imprensa internacional especula sobre possíveis retaliações, mas ninguém quer acender o pavio de um conflito maior.
O que me deixa pensando: será que o Irã está realmente cooperando, ou apenas dando uma de João sem Braço, empurrando o problema com a barriga? A história sugere que regimes assim raramente abrem mão de trunfos estratégicos sem algo em troca — e algo grande.
Enquanto isso, os mercados de petróleo ficam de olho, os analistas geopolíticos revisam seus prognósticos, e o mundo segura a respiração. Porque no fundo, todos sabemos: quando o assunto é nuclear, não existe jogo secundário.
Resta torcer para que a diplomacia prevaleça sobre a arrogância — de ambos os lados. Mas convenhamos: a esperança às vezes parece mais frágil que urânio enriquecido.