Irã pode diluir urânio para evitar ataque dos EUA, pressionado por protestos internos
Irã pode diluir urânio para evitar ataque dos EUA, diz jornal

Irã pode diluir urânio para evitar ataque dos EUA, pressionado por protestos internos

O Irã está considerando diluir a concentração das suas reservas de urânio como parte de uma negociação para evitar um ataque militar dos Estados Unidos, de acordo com informações publicadas pelo jornal inglês The Guardian. A medida, que seria supervisionada pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), braço das Nações Unidas, surge em um contexto de intensa pressão interna e externa sobre o regime iraniano.

Pressão interna e externa sobre o regime

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera realizar ataques militares limitados contra o Irã para pressionar o país, que enfrenta protestos domésticos de grande proporção. Manifestantes anti-regime se mobilizaram no sábado, 21 de fevereiro de 2026, na Universidade Mashhad de Ciências Médicas e em duas universidades da capital, Teerã, gritando "morte ao ditador", em referência ao líder-supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Nas últimas semanas, Trump aumentou a presença naval americana no Oriente Médio, intensificando a coação internacional sobre o governo iraniano. Paralelamente, os protestos internos demonstram um crescente descontentamento da população, criando um cenário de dupla pressão sobre o regime.

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Detalhes da proposta nuclear

Os iranianos atualmente possuem reservas de urânio enriquecidas a 60%, nível próximo do necessário para uso bélico. No entanto, o regime do aiatolá está disposto a reduzir a pureza para 20% ou menos, conforme relatado pelo The Guardian neste domingo, 22 de fevereiro. Essa diluição representaria um passo significativo nas negociações nucleares.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou na sexta-feira que um rascunho de uma contra-proposta iraniana aos Estados Unidos deve ficar pronto nos próximos dias. A informação foi divulgada por Araqchi ao programa americano "Morning Joe", da MS Now, após os países negociarem questões de ordem nuclear.

Divergências nas demandas americanas

O governo iraniano afirma que os Estados Unidos não demandaram o fim do enriquecimento de urânio no país. "Washington não pediu que Teerã suspenda permanentemente o enriquecimento de urânio", disse Araqchi à imprensa americana. Contudo, o embaixador dos EUA na ONU afirma o oposto, declarando que os americanos buscam "enriquecimento zero" no Irã, o que indica uma clara divergência nas posições.

Durante as negociações, foi sugerido o envio do urânio iraniano para a Rússia, mas essa ideia tem sido rechaçada pelo regime, segundo a mídia iraniana. A IAEA estima que o Irã possui mais de 400 kg de urânio em suas reservas, quantidade suficiente para desenvolver múltiplas armas nucleares se o processo de enriquecimento fosse aprofundado.

Contexto estratégico e implicações

A possível diluição do urânio iraniano ocorre em um momento crítico, onde as tensões geopolíticas no Oriente Médio estão em alta. A combinação de protestos internos e ameaças militares externas coloca o regime em uma posição delicada, forçando concessões que podem alterar o equilíbrio de poder regional.

As negociações nucleares, portanto, não apenas envolvem questões técnicas sobre o enriquecimento de urânio, mas também refletem as dinâmicas políticas internas do Irã e as estratégias de pressão internacional lideradas pelos Estados Unidos. O desfecho dessas discussões poderá ter impactos profundos na segurança global e na estabilidade do Oriente Médio.

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