Sergio Moro oficializa filiação ao PL de Bolsonaro após histórico de rusgas com o clã
O senador Sergio Moro (União-PR) oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro, em um movimento que sela uma reconciliação política após anos de tensões públicas com o ex-presidente e sua família. A confirmação foi dada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, marcando um enlace estratégico para as eleições estaduais no Paraná.
Liderando as pesquisas para o governo do estado, Moro se torna a principal aposta do partido para fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca suceder o atual governador Ratinho Jr. (PSD). A aliança, no entanto, contrasta com um passado repleto de discordâncias acirradas entre o ex-juiz da Lava Jato e o clã Bolsonaro.
Histórico de brigas e acusações
As rusgas entre Moro e a família Bolsonaro remontam a episódios marcantes, que incluíram acusações graves e críticas públicas. Em abril de 2020, o então ministro da Justiça e Segurança Pública rompeu com o governo após acusar Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal para proteger aliados de investigações.
O estopim foi a exoneração do diretor da PF, Maurício Valeixo, sem a assinatura de Moro. Embora a própria corporação tenha concluído, em março de 2022, que não havia indícios de interferência política, o caso foi reaberto em outubro de 2025 por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar possíveis crimes.
Vacinação e negacionismo
Em dezembro de 2020, Moro usou as redes sociais para criticar a demora do governo Bolsonaro em iniciar a vacinação contra a Covid-19, questionando publicamente: "Vários países, inclusive da América Latina, já estão vacinando contra a Covid. Onde está a vacina para os brasileiros? Tem previsão? Tem Presidente em Brasília?".
O então ministro da Justiça, André Mendonça, rebateu as críticas, questionando a legitimidade de Moro e destacando supostas falhas em sua gestão na área da Segurança Pública.
Escândalo da rachadinha de Flávio Bolsonaro
Em entrevista à revista VEJA em novembro de 2021, Moro não poupou críticas ao escândalo da rachadinha envolvendo Flávio Bolsonaro, então deputado estadual no Rio de Janeiro. Ele enfatizou a necessidade de apuração justa, afirmando: "A Justiça demanda que o fato seja apurado e as consequências sejam extraídas. Se a consequência for uma condenação criminal, é isso que tem que acontecer".
O caso, que envolveu movimentações atípicas de 1,2 milhão de reais na conta de um ex-assessor de Flávio, teve idas e vindas no Judiciário, com recursos negados pelo ministro Gilmar Mendes em fevereiro do ano passado.
Reconciliação e aliança política
Apesar do histórico conturbado, Moro e Bolsonaro iniciaram um processo de reconciliação durante as eleições de 2022, quando o ex-presidente convidou o então candidato ao Senado para acompanhá-lo em um debate presidencial. Na ocasião, Moro declarou: "Tenho, sim, minhas divergências com o presidente Bolsonaro, mas as convergências são muito maiores".
Agora, com a filiação ao PL, essa reconciliação se consolida em uma aliança política concreta, visando objetivos eleitorais no Paraná e fortalecendo a base de apoio de Flávio Bolsonaro. O movimento reflete as complexas dinâmicas da política brasileira, onde antigos adversários podem se unir em torno de interesses comuns.



