Irã chega ao Catar para negociar acordo de paz com EUA
Autoridades do Irã chegaram nesta segunda-feira (25) ao Catar para uma nova etapa de reuniões sobre um acordo de paz com os Estados Unidos. As negociações, que já passaram por temas como o petróleo bloqueado no Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano, agora têm um novo foco: o dinheiro congelado. São bilhões de dólares de empresas e autoridades iranianas bloqueados nos Estados Unidos e em outros países, com estimativas apontando para mais de US$ 100 bilhões.
O presidente do Banco Central iraniano integra a delegação no Catar, mas ainda não está claro se os EUA vão liberar parte desses fundos. No sábado (23), o presidente americano disse que um acordo estava quase completo, mas no domingo (24) admitiu que o texto ainda não estava pronto e pediu calma aos representantes americanos. Apesar disso, Trump repetiu que as negociações estavam indo bem.
Possíveis termos do acordo inicial
Segundo autoridades que falaram ao site Axios, um eventual acordo agora seria um documento inicial, incluindo: a reabertura do Estreito de Ormuz; o fim do bloqueio americano aos portos iranianos; um compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares; e um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.
O Irã nega que um acordo seja iminente, mas as declarações otimistas de Trump já movimentaram o mercado. Nesta segunda-feira (25), os preços do petróleo caíram mais de 5%, com o barril do tipo Brent abaixo de US$ 100, o menor preço em duas semanas.
Condições adicionais de Trump
Trump também fez uma nova cobrança que pode complicar as negociações. Ele associou o acordo de paz com o Irã aos Acordos de Abraão, assinados em seu primeiro mandato para normalizar relações entre países árabes e Israel. Emirados Árabes, Bahrein, Marrocos e Sudão aderiram em 2020; a Arábia Saudita planejava assinar, mas adiou por causa da guerra em Gaza.
Nas redes sociais, Trump escreveu que deveria ser "obrigatório" para países como Arábia Saudita, Catar, Egito, Jordânia, Turquia e Paquistão aderirem aos Acordos de Abraão. Até agora, apenas o Paquistão rejeitou a ideia.
No fim do dia, Trump voltou a falar sobre as negociações, exigindo que o estoque de urânio enriquecido do Irã seja entregue imediatamente aos EUA para destruição em território americano, ou destruído no Irã sob supervisão internacional. Teerã ainda não se pronunciou.
Ataques militares no sul do Irã
Na noite desta segunda-feira (25), as Forças Armadas dos EUA confirmaram ataques no sul do Irã, atingindo lançadores de mísseis e barcos usados para instalar explosivos em rotas marítimas. O Pentágono classificou a ação como defensiva e afirmou que continuará protegendo tropas americanas durante o cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.



