Irã ameaça EUA e Israel após protestos com 192 mortos e conversa de intervenção
Irã ameaça EUA e Israel após protestos com 192 mortos

O Irã enfrenta sua maior onda de protestos desde 2022, com cenas de caos nas ruas, dezenas de mortes e uma escalada retórica que envolve ameaças diretas aos Estados Unidos e a Israel. A crise, que desafia o regime do aiatolá Ali Khamenei, levou a uma discussão de alto nível entre Washington e Tel Aviv sobre uma possível intervenção, ao mesmo tempo em que o governo iraniano promete retaliar caso seja atacado.

Protestos violentos e ameaças de intervenção

Os protestos contra o governo do líder supremo Ali Khamenei, que se intensificaram nos últimos dias de 2025, resultaram em um cenário de violência extrema. Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, o balanço atualizado neste domingo (11) é de ao menos 192 mortos. Outro grupo de monitoramento, o HRANA, havia reportado anteriormente 116 vítimas fatais.

Em meio a esse cenário, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, discutiram por telefone no sábado (10) a possibilidade de uma intervenção no Irã, conforme revelado pela agência Reuters. A conversa entre os aliados históricos ocorre em um momento de alta tensão, com o presidente americano, Donald Trump, tendo sido informado sobre opções militares contra o país, segundo o The New York Times.

Trump já havia declarado que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar", ameaçando intervir caso o regime mate manifestantes pacíficos.

Resposta iraniana: acusações e ameaças de retaliação

O governo iraniano reagiu com firmeza às movimentações internacionais. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, emitiu uma grave ameaça neste domingo (11): "Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos".

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou os EUA e Israel de "semear caos e desordem" no país ao fomentar os confrontos. Ele pediu que a população se distancie do que chamou de "badernistas e terroristas". Paralelamente, em uma tentativa de conciliação, Pezeshkian afirmou que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e resolver questões econômicas.

Do lado da segurança, o chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, admitiu que "o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou". A Guarda Revolucionária, por sua vez, declarou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável. Ali Larijani, conselheiro de Khamenei, afirmou que o Irã está "em plena guerra" e que incidentes foram "orquestrados no exterior".

Contexto de fragilidade e repressão

Os protestos ocorrem em um momento de fragilidade para o Irã, que ainda sente os efeitos da guerra com Israel e de golpes sofridos por aliados regionais. Além disso, em setembro, a ONU restabeleceu sanções ligadas ao programa nuclear do país.

O aiatolá Ali Khamenei, em pronunciamento na sexta-feira (9), foi categórico ao dizer que seu governo "não vai recuar" diante dos protestos, aos quais se referiu como ações de "vândalos" e "sabotadores". A repressão governamental aumentou significativamente no sábado (10), de acordo com a agência de notícias AFP.

Esta é a maior mobilização popular no país desde os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini. A crise atual coloca o regime sob pressão interna e externa sem precedentes recentes, com o mundo observando atentamente os desdobramentos de cada ameaça e movimento nas ruas do Irã.