Irã acusa EUA de violar trégua e declara negociações inviáveis após quebra de cláusulas
Irã acusa EUA de violar trégua e diz que negociação ficou inviável

Irã declara negociações com EUA inviáveis após violações de trégua

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026, que as negociações com os Estados Unidos tornaram-se completamente inviáveis devido a violações graves de três cláusulas fundamentais da proposta de paz apresentada pelo Irã. A declaração ocorre em meio a crescentes tensões que ameaçam desestabilizar o frágil cessar-fogo estabelecido na região do Oriente Médio.

Acusações de violações sistemáticas

Ghalibaf, considerado uma figura central nas tratativas diplomáticas, foi enfático ao afirmar que "um cessar-fogo bilateral ou negociações tornaram-se inviáveis" após o que descreveu como repetidas violações por parte dos Estados Unidos. O líder parlamentar destacou que esta situação reforça a "profunda desconfiança histórica que nutrimos em relação aos Estados Unidos", atribuindo-a a um padrão recorrente de quebra de compromissos.

O plano iraniano, composto por dez pontos principais, havia sido anteriormente classificado pelo presidente americano Donald Trump como uma "base viável para negociar". No entanto, segundo Ghalibaf, três elementos cruciais foram violados desde o anúncio do cessar-fogo na noite de terça-feira, 7 de abril:

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  1. Continuação dos combates no Líbano: Apesar do anúncio de cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano, Trump afirmou que o país ficou fora do acordo devido à presença do Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã.
  2. Violação do princípio de não agressão: Um drone intruso teria entrado no espaço aéreo iraniano e foi destruído na cidade de Lar, na província de Fars, em clara transgressão da cláusula que proíbe violações do espaço aéreo nacional.
  3. Negação do direito ao enriquecimento de urânio: Trump declarou publicamente que "não haverá enriquecimento de urânio" no Irã, contradizendo diretamente a sexta cláusula da proposta iraniana que garante esse direito.

Divergências públicas e tensões crescentes

A Casa Branca sugeriu que a versão do plano com a qual trabalha diverge significativamente daquela divulgada publicamente pelo regime iraniano. Um funcionário do governo Trump afirmou à agência AFP que os Estados Unidos "não negociarão em termos expostos publicamente", indicando desacordos fundamentais sobre os termos do acordo.

Enquanto isso, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian havia descrito os dez pontos como "princípios gerais" que permitiriam a continuidade das tratativas. A discrepância entre as posições públicas das duas nações criou um ambiente de desconfiança mútua que ameaça todo o processo diplomático.

Os dez pontos da proposta iraniana

O plano divulgado pelo Irã inclui os seguintes elementos fundamentais:

  • Não agressão entre as partes
  • Continuação do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz
  • Aceitação do direito de enriquecimento de urânio
  • Suspensão de todas as sanções primárias e secundárias
  • Revogação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA
  • Pagamento de indenização ao Irã
  • Retirada das forças americanas da região
  • Cessão da guerra em todas as frentes, incluindo contra o Hezbollah no Líbano

Cenário regional à beira do colapso

A trégua anunciada parece estar à beira do colapso total, com Teerã e Israel trocando ameaças de retomada das hostilidades. O Paquistão, que atua como mediador nas negociações, pediu "moderação" após o Exército israelense lançar bombardeios massivos ao Líbano que resultaram em 250 mortes.

O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, cujo país sediará negociações entre Irã e Estados Unidos na sexta-feira, afirmou que "violações do cessar-fogo foram registradas em alguns pontos da zona de conflito, o que prejudica o espírito do processo de paz".

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Enquanto isso, a situação no terreno permanece extremamente volátil. O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz e ameaçou romper o cessar-fogo caso Israel não interrompa operações militares no Líbano. A Guarda Revolucionária iraniana também emitiu ameaças de retaliação, mantendo a região em estado de alerta máximo.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu advertiu que seu país continua "com o dedo no gatilho", enfatizando que o cessar-fogo não representa o fim das operações militares. No Líbano, o Hezbollah afirmou ter "direito de responder" aos ataques, embora não tenha reivindicado ações contra Israel desde o anúncio da trégua.

A equipe de negociadores americanos, liderada pelo vice-presidente JD Vance e incluindo o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, deve viajar a Islamabad para as conversas programadas, mas o clima de desconfiança mútua e as acusações de violações colocam em dúvida a viabilidade de qualquer avanço diplomático significativo.