Irã propõe negociações justas com EUA sobre programa nuclear, desde que sem ameaças
Irã aceita diálogo com EUA sobre nuclear, mas exige ambiente sem ameaças

Irã sinaliza abertura para diálogo com EUA sobre programa nuclear, mas impõe condições

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira que determinou ao ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, a busca por negociações justas e equitativas com os Estados Unidos. A condição, segundo o mandatário, é que haja um ambiente apropriado, livre de ameaças ou exigências consideradas descabidas.

Princípios que guiarão as conversas diplomáticas

Em declaração publicada em inglês e em farsi na rede social X, Pezeshkian afirmou:

Pedi ao meu ministro das Relações Exteriores que, havendo um ambiente apropriado, livre de ameaças ou exigências descabidas, conduza negociações justas e equitativas, orientadas pelos princípios da dignidade e da prudência.

O presidente iraniano ressaltou que qualquer diálogo deve ocorrer dentro da estrutura dos interesses nacionais do Irã. A decisão foi tomada após pedidos de governos aliados da região para que Teerã respondesse à proposta do presidente norte-americano Donald Trump de retomar as negociações.

Encontro histórico marcado para Istambul

Segundo informações do portal Axios, Abbas Araghchi e o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, devem se reunir na sexta-feira, em Istambul. O objetivo é discutir um possível acordo nuclear que possa aliviar as tensões entre os dois países.

Este encontro promete ser significativo, pois:

  • Contará com a presença de ministros das Relações Exteriores da Turquia, Catar, Egito, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão.
  • Será o primeiro contato direto entre representantes de Washington e Teerã desde junho do ano passado.
  • As negociações foram interrompidas em 2025 após bombardeios norte-americanos contra instalações nucleares iranianas.

Contexto de pressões e possíveis acordos

Em janeiro, Donald Trump intensificou a pressão sobre o Irã, determinando o envio de uma frota naval ao Golfo Pérsico e ameaçando ações militares caso não houvesse um acordo. No entanto, fontes indicam uma possível disposição iraniana em flexibilizar seu programa nuclear.

De acordo com o The New York Times, o Irã estaria disposto a:

  1. Encerrar ou suspender seu programa nuclear para reduzir as tensões com os Estados Unidos.
  2. Defender a criação de um consórcio regional no Oriente Médio voltado à produção de energia nuclear, proposta apresentada pelos EUA.
  3. Considerar a suspensão temporária do programa atual como alternativa para aliviar as tensões diplomáticas.

Autoridades iranianas, contudo, negam que o país esteja perto de desenvolver uma bomba atômica e afirmam que o programa tem fins pacíficos, voltados à geração de energia.

Antecedentes e envolvimento russo

A reportagem do The New York Times afirma ainda que autoridades iranianas se reuniram recentemente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. O tema discutido foi a possibilidade de envio de urânio enriquecido para o território russo, medida semelhante à adotada em 2015.

Naquele ano, no âmbito do acordo internacional que previa a limitação das atividades nucleares iranianas em troca do alívio de sanções, mais de 11 toneladas de urânio de baixo enriquecimento foram enviadas à Rússia. Em 2018, Trump retirou os Estados Unidos do acordo e restabeleceu sanções contra o Irã, agravando a crise.

Até o momento, Washington não confirmou oficialmente a abertura do diálogo, mas os sinais de aproximação sugerem um momento crucial nas relações entre os dois países.