O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), publicou um vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (20) para anunciar um rompimento político com a atual governadora, Celina Leão (PP), sua ex-vice e aliada de longa data. A declaração marca o fim de uma parceria que começou em 2018 e incluiu dois mandatos consecutivos no Executivo local.
Histórico da aliança entre Ibaneis e Celina
A relação política entre os dois teve início em 2018, quando Ibaneis foi eleito governador pela primeira vez e Celina, então deputada distrital, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados. Em maio de 2020, Ibaneis convidou Celina para assumir a Secretaria de Esportes e Lazer, cargo que ela ocupou a partir de 20 de maio. “Vem para investir pesado. É só alegria com Celina Leão na Secretaria de Esportes”, declarou o governador na época.
O vínculo se fortaleceu em 2022, quando Ibaneis anunciou Celina como sua vice para a reeleição. “Já pensava numa reeleição. Eu recebo com muito carinho Celina Leão como minha vice”, afirmou. Eleitos para o segundo mandato, foram empossados em 1º de janeiro de 2023. Durante os quatro anos seguintes, não houve atritos públicos entre eles.
Em março de 2026, Ibaneis deixou o governo para concorrer ao Senado e declarou apoio à candidatura de Celina ao governo do DF. Na cerimônia de posse dela, realizada em 30 de março na Câmara Legislativa, Ibaneis elogiou a sucessora: “A Celina, agora como governadora, será reeleita e vai fazer o melhor mandato da história do Distrito Federal. Ela conhece a máquina administrativa. Ela tem poder de decisão, firmeza nas decisões”.
Crise no BRB e divergências
A saída de Ibaneis ocorreu em meio a uma crise no Banco de Brasília (BRB), que enfrenta um rombo bilionário causado por operações malsucedidas e supostas fraudes com o Banco Master. Os dois bancos foram alvos de operação da Polícia Federal, e seus presidentes estão presos. Ibaneis, que apoiou a compra do Master pelo BRB em 2025, viu a crise recair sobre sua gestão, já que o governo do DF é acionista majoritário do banco.
Em seu discurso de posse, Celina se distanciou do episódio: “Nunca fiz acordos que ferem a consciência. O BRB é um patrimônio do povo do DF. Deixo claro que não participei de nenhuma decisão, sequer [fui] consultada. No nosso governo, não cabe omissão. As investigações estão em andamento e devem ocorrer com independência, transparência e dentro da lei”.
A partir daí, Celina tomou medidas que contrariaram o ex-governador. Ela retirou do plano de salvamento do BRB a área ambiental Serrinha do Paranoá e um terreno de serviços de saúde, reduzindo a captação potencial de R$ 6,6 bilhões para R$ 3,6 bilhões. Também trocou o comando de secretarias, como a de Economia, cujo novo secretário, Valdivino de Oliveira, apontou um déficit orçamentário de R$ 42,7 bilhões e criticou a gestão anterior como “não ideal” e “beirando a imprudência”. Além disso, Celina enviou à Câmara Legislativa um projeto para revogar a autorização de compra de participação no Banco Master, proposta por Ibaneis em agosto de 2025.
O rompimento
No vídeo de quinta-feira, Ibaneis afirmou que confiou em Celina para dar continuidade ao que “plantou”, mas que teve “muitas decepções” nos últimos dias. Ele mencionou a necessidade de um “realinhamento” político, após reunião em sua residência com deputados, incluindo o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz; o deputado federal Rafael Prudente; e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
Celina respondeu horas depois, também em vídeo. Disse que herdou uma “grave crise no BRB” e um “rombo bilionário nas contas públicas”, e que tem trabalhado para resolver os problemas, tomando “decisões que às vezes desagrada a muitos”. Sobre a lealdade, rebateu: “As pessoas precisam entender que sucessão nunca será submissão. Eu tenho plena consciência de que fui leal durante todo o tempo em que estive ao lado dele como vice-governadora”.
O rompimento marca uma nova fase na política do Distrito Federal, com possíveis impactos nas eleições de 2026.



