Groenlândia rejeita apelo de Trump: 'Não queremos ser americanos'
Groenlândia rejeita proposta de compra por Trump

Os líderes partidários da Groenlândia reagiram com firmeza aos recentes apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o país norte-americano assuma o controle da ilha. Em um comunicado conjunto divulgado na noite de sexta-feira, 9 de agosto de 2025, eles foram categóricos ao rejeitar a proposta e reafirmar a soberania do povo groenlandês sobre seu próprio destino.

Uma rejeição unânime e histórica

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, juntamente com outros quatro líderes partidários — Pele Broberg, Múte B. Egede, Aleqa Hammond e Aqqalu C. Jerimiassen — assinaram um documento onde deixam clara sua posição. “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, declararam no texto.

Eles reiteraram que “o futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo povo groenlandês” e pediram o fim do que chamaram de desrespeito por parte dos Estados Unidos. O comunicado enfatiza que qualquer discussão sobre o futuro do território ocorre em diálogo com sua população e com base no direito internacional, sem espaço para interferências externas.

A ofensiva de Trump e a ameaça à Otan

Donald Trump voltou a expressar publicamente seu interesse em “fechar um acordo” para que os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia, uma região semiautônoma do Reino da Dinamarca. Ele classificou a possibilidade como algo que poderia ser feito “de forma fácil”, mas não descartou meios mais drásticos. “Se não fizermos da forma fácil, vamos fazer da forma difícil”, afirmou, sem dar detalhes sobre o que essa segunda opção significaria.

A Casa Branca, por sua vez, confirmou que considera uma série de opções, incluindo o uso de força militar, para anexar o território. A justificativa apresentada por Trump é de caráter geopolítico: ele argumenta que, se os EUA não controlarem a ilha, a Rússia ou a China o farão, criando uma ameaça direta aos interesses de Washington.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que uma ação militar americana contra a Groenlândia significaria o fim da Otan, a aliança militar ocidental. Trump, contudo, demonstrou disposição em sacrificar a aliança para conquistar o território, elevando o tom da crise.

Reuniões e incertezas geopolíticas

Autoridades da Dinamarca, da Groenlândia e dos Estados Unidos já se reuniram em Washington na quinta-feira, 8 de agosto, e devem voltar a se encontrar na próxima semana para discutir a situação. O impasse coloca em xeque as relações dentro da Otan, já que não está claro como os outros 30 países membros reagiriam a uma ação militar americana contra um aliado como a Dinamarca.

A Groenlândia, apesar de ser a maior ilha do mundo, tem uma população de apenas cerca de 57 mil habitantes e não possui forças armadas próprias. Sua defesa é responsabilidade da Dinamarca, cujo poder militar é consideravelmente inferior ao dos Estados Unidos, o que aumenta a vulnerabilidade do território em um cenário de confronto.

Os líderes groenlandeses finalizaram seu comunicado com uma mensagem de determinação: “Devemos decidir o futuro do nosso país sozinhos, sem pressão por decisões rápidas, adiamentos ou interferência de outros países.” A declaração marca um novo capítulo na longa história de interesse dos EUA pela ilha, que remonta ao século XIX, mas que agora enfrenta uma resistência local firme e unida.