Numa rara demonstração de unidade, parlamentares da Groenlândia se posicionaram de forma contundente contra as recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manifestou interesse em anexar o território autônomo dinamarquês. A resposta foi clara e direta: "Não queremos ser americanos".
União política em defesa da identidade groenlandesa
Na semana que começou em 10 de janeiro de 2026, líderes de cinco partidos com representação no parlamento local emitiram uma declaração conjunta. O grupo incluiu as quatro legendas que formam o governo atual e também o principal partido de oposição, que historicamente defende a independência completa da Dinamarca.
O sentimento expresso foi de forte afirmação nacional. "Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses", afirmaram os políticos. Eles foram enfáticos ao destacar que o futuro da Groenlândia deve ser decidido exclusivamente pela sua população, rejeitando qualquer interferência externa.
Interesse estratégico e reação popular
A motivação por trás do interesse de Trump está ligada à localização estratégica da Groenlândia no Ártico. O ex-presidente americano argumentou, em diversas ocasiões, que o controle da ilha é "crucial" para a segurança nacional dos Estados Unidos. Este posicionamento se baseia no aumento percebido das atividades militares de Rússia e China na região polar.
No entanto, a posição dos líderes políticos encontra eco direto nas ruas. Julius Nielsen, um pescador de 48 anos entrevistado pela agência de notícias AFP, resumiu o sentimento de muitos conterrâneos. "Americanos? Não! Já fomos colônia por muitos anos. Não queremos voltar a ser colônia", declarou.
Contexto histórico e caminho futuro
A capital Nuuk, e toda a Groenlândia, foi uma colônia dinamarquesa até o ano de 1953. O território conquistou seu estatuto de autonomia 26 anos depois, em 1979, marcando um longo processo de autogoverno. A recente riqueza mineral descoberta na ilha tem aumentado seu peso geopolítico e econômico.
A declaração unânime dos partidos groenlandeses envia uma mensagem poderosa ao cenário internacional. Ela reforça a prioridade da autodeterminação e mostra que, independentemente de divergências políticas internas sobre o ritmo da independência, há um consenso sólido contra qualquer forma de anexação por uma potência estrangeira.
O episódio destaca como questões de soberania e identidade nacional continuam sendo fundamentais no século XXI, muitas vezes se sobrepondo a cálculos geopolíticos de grandes potências. O povo groenlandês, através de seus representantes, deixou claro que seu destino será traçado por suas próprias mãos.