França proíbe acesso de embaixador dos EUA após ausência em convocação sobre morte de jovem
França proíbe acesso de embaixador dos EUA após ausência

França impõe sanções diplomáticas a embaixador dos EUA após ausência em convocação

O governo francês tomou uma medida drástica na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, ao proibir o embaixador dos Estados Unidos em Paris, Charles Kushner, de se reunir com ministros do país. A decisão ocorreu após o diplomata norte-americano não comparecer a uma reunião convocada para esclarecer comentários feitos pela administração do ex-presidente Donald Trump sobre o assassinato de um jovem francês.

Contexto da crise diplomática

O incidente que desencadeou a crise envolve a morte de Quentin Deranque, um jovem de 23 anos que foi espancado até a morte por ativistas da esquerda radical durante um protesto da extrema-direita em Lyon. O Gabinete de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA publicou uma declaração no X afirmando que "as informações, corroboradas pelo ministro do Interior francês, de que Quentin Deranque foi morto por militantes de esquerda, devem preocupar a todos".

A publicação acrescentava que "a esquerda radical violenta está em ascensão e seu papel na morte de Quentin Deranque demonstra a ameaça que representa para a segurança pública". Estas declarações, atribuídas ao governo Trump, geraram forte reação das autoridades francesas.

Medidas do governo francês

Diante da ausência de Kushner na reunião convocada para discutir o assunto, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, determinou restrições significativas ao diplomata norte-americano. Em comunicado oficial, o ministério declarou: "Perante esta aparente incapacidade de compreender as exigências básicas da missão de embaixador e a honra de representar o seu país, o ministro solicitou que ele deixasse de ter acesso direto aos membros do governo francês".

Apesar das restrições, o governo francês esclareceu que Kushner poderá continuar exercendo suas funções diplomáticas básicas. "O embaixador Charles Kushner poderá continuar a exercer as suas funções e apresentar-se no Quai d'Orsay, a fim de manter as conversações diplomáticas necessárias para ultrapassar as irritações que inevitavelmente podem surgir numa amizade de 250 anos", completou o comunicado.

Posicionamento francês sobre a tragédia

O ministro Barrot foi enfático ao rejeitar qualquer tentativa de politização da morte do jovem francês: "Rejeitamos qualquer instrumentalização desta tragédia, que mergulhou uma família francesa no luto, para fins políticos". Ele acrescentou que "não temos lições a tirar, nomeadamente sobre a questão da violência, do movimento reacionário internacional".

A morte de Deranque ocorreu durante um protesto da extrema-direita contra um evento da eurodeputada de esquerda Rima Hassan em uma universidade de Lyon. Testemunhas relataram que o jovem foi derrubado e agredido por pelo menos seis indivíduos encapuzados, reascendendo as tensões políticas em um contexto de crescente polarização na França, pouco antes das eleições municipais de março.

Histórico de tensões

Esta não é a primeira vez que Kushner se ausenta de uma convocação oficial francesa. Em agosto do ano anterior, o embaixador já não havia comparecido a uma reunião para a qual foi convocado, relacionada a uma carta enviada ao presidente Emmanuel Macron que alegava insuficiência nas ações francesas contra o antissemitismo.

A medida francesa representa um ponto de tensão significativo nas relações bilaterais entre os dois países, tradicionalmente aliados, e ocorre em um momento particularmente sensível do cenário político francês, marcado por polarização e violência política.