Fim do Novo START: EUA e Rússia sem limites nucleares pela primeira vez em décadas
Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos e a Rússia estão completamente livres de qualquer tratado que limite seus arsenais nucleares estratégicos. A expiração do acordo Novo START nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, marca um momento histórico e preocupante nas relações internacionais, deixando as duas maiores potências atômicas do planeta sem tetos legais para suas ogivas e sistemas de lançamento.
O que era o acordo e por que expirou?
Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o Novo START foi o último herdeiro dos acordos de controle nuclear da Guerra Fria. O tratado estabelecia limites rigorosos: cada país poderia ter no máximo 1.550 ogivas nucleares estratégicas instaladas e 700 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais. Além dos números, o pacto previa:
- Inspeções presenciais regulares
- Troca sistemática de dados entre as partes
- Mecanismos robustos de verificação mútua
O acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, mas suas regras não permitiam uma nova extensão. As negociações para um sucessor enfrentaram obstáculos crescentes:
- Em 2020, as inspeções foram suspensas devido à pandemia
- Em 2023, a Rússia anunciou a suspensão de sua participação após a escalada da guerra na Ucrânia
- Os Estados Unidos responderam com medidas equivalentes
- As tentativas de acordo em 2025 não prosperaram
O cenário atual e os riscos imediatos
Atualmente, estima-se que a Rússia possua aproximadamente 5.459 ogivas nucleares, enquanto os Estados Unidos mantêm cerca de 5.177. Juntas, as duas nações concentram mais de 80% do arsenal atômico mundial. Com o fim do Novo START:
- Ambos os países ficam legalmente livres para expandir seus arsenais
- Não há mais obrigação de transparência ou verificação
- O risco de erros de cálculo aumenta significativamente
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou a situação como "grave" e alertou que o mundo entra em uma fase inédita e perigosa. "Pela primeira vez em mais de 50 anos, não há limites vinculantes para os arsenais estratégicos das duas potências que concentram a maioria das armas nucleares do planeta", afirmou.
Fatores que agravam a situação
Além do colapso do acordo bilateral, outros elementos contribuem para a instabilidade nuclear global:
- Expansão chinesa: A China vem modernizando e expandindo seu arsenal no ritmo mais acelerado do mundo
- Novos sistemas russos: A Rússia desenvolveu armas nucleares que não estavam contempladas pelo tratado
- Contexto geopolítico: A guerra na Ucrânia deteriorou ainda mais as relações entre Washington e Moscou
Guterres também alertou que o fim do Novo START pode enfraquecer o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que será revisado ainda este ano. Segundo o portal Axios, negociações para estender os termos do acordo continuam ocorrendo às margens das conversas sobre a Ucrânia em Abu Dhabi.
O momento representa um ponto de inflexão na segurança global, com especialistas concordando que a dissolução do tratado "não poderia ocorrer em pior momento", quando o risco do uso de armas nucleares é considerado o mais alto em décadas.



