Em um discurso emocionado durante a cerimônia de abertura do ano legislativo na Assembleia Nacional da Venezuela, Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente Nicolás Maduro, enviou uma mensagem direta ao pai, preso pelos Estados Unidos. O evento ocorreu na segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, poucos dias após a captura do líder chavista e de sua esposa, Cilia Flores.
Discurso de afirmação e apoio
Com a voz embargada, o deputado do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), conhecido como "Nicolasito", dirigiu-se ao pai ausente. "A você, pai, digo que criou uma família de pessoas fortes. A pátria está em boas mãos, pai, e logo vamos nos abraçar aqui na Venezuela", afirmou Maduro Guerra. Ele também mencionou Cilia Flores, a quem chamou de "segunda mãe".
O parlamentar, que é filho único do casal, aproveitou a tribuna para reiterar o apoio a Delcy Rodríguez, vice de Maduro reconhecida como presidente interina pelas Forças Armadas e pelo Supremo Tribunal venezuelano. Ele declarou que o governo está comprometido em "defender a dignidade do país" e acusou os Estados Unidos de sequestrar seus pais.
"Hoje, cabe a mim falar e escrever, meu pai e minha segunda mãe foram sequestrados", disse, acrescentando que foi forjado "na luta revolucionária, que sempre foi o sonho do meu pai". Ele expressou confiança de que a verdade triunfaria e que o reencontro familiar aconteceria.
Contexto da prisão e acusações graves
A prisão de Nicolás Maduro e Cilia Flores foi um evento dramático. Segundo a CNN, ambos foram retirados à força de um quarto por militares americanos durante a madrugada. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou à Fox News que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da operação, que incluiu bombardeios a Caracas.
O casal estava em uma residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana e agora está detido no Brooklyn, onde se declarou inocente. Eles enfrentam acusações de "narcoterrorismo" em um tribunal de Nova York.
Um novo indiciamento, divulgado no sábado anterior ao discurso, detalha as acusações. Promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado. A rede teria parcerias com grupos criminosos como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, as FARC colombianas e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
O documento acusatório afirma que Maduro "se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos". A acusação também inclui o filho, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, líder do Tren de Aragua.
Repercussão internacional e defesa venezuelana
Em seu discurso, Maduro Guerra fez um paralelo entre a política externa americana e os ideais venezuelanos. Ele afirmou que, enquanto os Estados Unidos seguem a Doutrina Monroe — cujo lema "América para os americanos" foi resgatado por Donald Trump —, a Venezuela trilha os passos do libertador Simón Bolívar.
O deputado salientou a importância do direito internacional e advertiu sobre uma "regressão perigosa para toda a comunidade internacional". Por fim, ele, que também é réu no mesmo processo, pediu que os EUA deixem a Venezuela "em paz" para que as instituições do país e sua economia possam se desenvolver livremente.
O procurador americano Jay Clayton foi enfático ao caracterizar o caso: "Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares".
O processo ganha contornos históricos, pois o enquadramento como narcoterrorismo classifica Maduro como uma ameaça à segurança nacional dos EUA, com base em leis pós-11 de setembro. A estratégia legal americana mistura direito penal, direito internacional e argumentos de segurança nacional para buscar a condenação do ex-líder venezuelano e seus aliados.