Pesquisa europeia aponta Trump como 'inimigo' após ameaças à Groenlândia
Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, pela revista francesa de geopolítica Le Grand Continent, revelou que a maioria dos europeus considera o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um inimigo da Europa. O levantamento, realizado pelo instituto Cluster17, foi conduzido em sete países da União Europeia e da Otan, mostrando uma visão predominantemente negativa do líder americano, especialmente após suas recentes declarações sobre a Groenlândia.
Detalhes do estudo e contexto geopolítico
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 19 de janeiro, abrangendo França, Bélgica, Alemanha, Itália, Espanha, Dinamarca e Polônia. O momento do estudo coincide com as ameaças de Trump de anexar a Groenlândia, um território dinamarquês, o que parece ter influenciado significativamente as percepções públicas. Segundo os resultados, 51% dos entrevistados consideram Trump um inimigo da Europa, enquanto apenas 8% o veem como um amigo. Essa pequena maioria é observada em seis dos sete países pesquisados, com amostras de mil pessoas em cada nação.
Variações por país e exceções notáveis
As respostas variaram consideravelmente entre os países, refletindo diferentes contextos geopolíticos e históricos:
- Dinamarca e Espanha lideram com 58% dos entrevistados vendo Trump como inimigo, seguidos por Bélgica (56%), França (55%), Alemanha (53%) e Itália (52%).
- A Polônia é a única exceção, onde apenas 28% descrevem Trump como hostil. Neste país, que faz fronteira com a Rússia e vê os EUA como um garantidor de proteção, 48% consideram o presidente americano indiferente, nem amigo nem inimigo.
- Em média, nos sete países, 39% dos entrevistados adotam essa postura de indiferença em relação a Trump.
Reação à operação militar na Venezuela
Além das percepções sobre Trump, a pesquisa também abordou a operação militar dos Estados Unidos que levou à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Os resultados mostram que 63% dos europeus consideram a ação ilegal por violar a soberania nacional e internacional, em contraste com 25% que a veem como legítima. Isso representa um contraste marcante com a opinião na América Latina, onde mais de 60% da população aprovou a intervenção americana.
Demanda por independência defensiva da Europa
No contexto internacional cada vez mais tenso, a pesquisa revela uma crescente demanda por autonomia estratégica. 73% dos entrevistados acreditam que a União Europeia deve garantir sua própria defesa no futuro, sem depender do apoio dos Estados Unidos, enquanto apenas 22% ainda confiam em Washington. Essa mudança de perspectiva reflete décadas de redução nos gastos com defesa por parte das nações europeias, que confiaram na proteção americana pós-Guerra Fria, mas agora enfrentam pressões para assumir maior responsabilidade.
Os Estados Unidos, como a maior potência militar do mundo e principal membro da Otan, têm exigido há anos que a Europa fortaleça suas capacidades defensivas, uma demanda que se intensificou durante o governo Trump. A pesquisa Cluster17 destaca como essas dinâmicas estão moldando a opinião pública europeia em um momento crítico para as relações transatlânticas.