Analista internacional descreve aproximação britânica com a China como "traição" aos olhos dos Estados Unidos
O cenário geopolítico global enfrenta novas tensões conforme o Reino Unido fortalece seus laços com a China, uma movimentação que está sendo interpretada em Washington como um ato de deslealdade. Segundo análise especializada, essa mudança nas relações internacionais pode ter consequências profundas para as alianças militares e a estrutura econômica britânica.
Críticas de Trump e a defesa de Starmer sobre a nova parceria
O ex-presidente norte-americano Donald Trump classificou publicamente a aproximação entre o Reino Unido e a China como "muito perigosa", estendendo suas críticas também ao Canadá, que igualmente tem buscado estreitar relações com o país asiático. Em contrapartida, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defende a necessidade de uma "relação mais sofisticada" com a China, argumentando que a nação é um ator fundamental no palco mundial.
Os objetivos declarados dessa nova aliança incluem melhorar o acesso ao mercado chinês, estabelecer tarifas comerciais mais baixas e iniciar novos acordos de investimento. No entanto, especialistas alertam que essas intenções podem mascarar riscos significativos para a soberania e a segurança do Reino Unido.
Impactos econômicos e sociais no território britânico
Ricardo Cabral, analista de segurança e estratégia internacional, destacou em entrevista ao Conexão Record News que o contexto econômico britânico é preocupante. "A economia inglesa cresceu menos de 1% recentemente, enquanto os impostos aumentaram para toda a população, incluindo os mais ricos", explicou Cabral.
Ele acrescentou que essa situação resultou em uma fuga de capitais da Inglaterra, que persiste até os dias atuais e já causou uma perda estimada em meio trilhão de libras na economia nacional. Paralelamente, o número de pessoas em situação de rua no país aumentou em mais de 60%, refletindo graves desafios sociais.
Riscos para as alianças militares e a indústria local
Cabral enfatizou que a aproximação com a China, considerada a maior potência adversária dos Estados Unidos, é vista como uma traição em Washington. "A Inglaterra é o principal aliado norte-americano, parte da aliança anglo-saxã que domina grande parte das relações internacionais", afirmou o especialista.
Ele detalhou que elementos críticos da defesa britânica, como as bombas nucleares parcialmente americanas estacionadas no Reino Unido e bases aéreas em locais como Santa Helena, Grécia, Chipre e Bahrein, são sustentados financeiramente pelos Estados Unidos. "Há especulações de que o governo Trump possa suspender acordos de tarifas que beneficiam o Reino Unido, em retaliação a essa parceria", alertou Cabral.
Além das implicações militares, o analista previu que a parceria com a China poderia levar a uma desindustrialização no Reino Unido. "A Inglaterra ainda produz muita tecnologia, e sabemos como os chineses operam: copiam e pirateiam", comentou, sugerindo que a indústria local poderia ser severamente prejudicada.
Repercussão interna e comprometimento político
A decisão de Starmer tem enfrentado críticas até mesmo dentro do Reino Unido. Segundo Cabral, jornais locais têm divulgado que o primeiro-ministro estaria "extremamente comprometido com o declínio britânico" ao tomar medidas consideradas equivocadas. Essa perspectiva interna reforça a complexidade e a controvérsia em torno da nova orientação diplomática.
O distanciamento do Canadá em relação aos Estados Unidos, seguindo um caminho similar ao do Reino Unido, também colocou o presidente norte-americano em alerta, indicando um possível realinhamento nas relações transatlânticas que pode redefinir as dinâmicas de poder global nas próximas décadas.