Rubio revela tentativas de acordo com Maduro antes de operação militar dos EUA na Venezuela
EUA tentaram acordo com Maduro antes de captura, diz Rubio

Secretário de Estado dos EUA detalha estratégia antes da captura de Maduro na Venezuela

Em um depoimento marcante ao Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), o secretário de Estado, Marco Rubio, revelou que o governo do ex-presidente Donald Trump realizou diversas tentativas para que o ditador venezuelano Nicolás Maduro deixasse o poder de forma voluntária, antes de autorizar uma operação militar que resultou em sua captura. "Ele não é alguém com quem se possa fazer um acordo", declarou Rubio, justificando a mudança de postura.

Divisão de recursos e aspectos legais da intervenção

Durante sua audiência, Rubio forneceu detalhes financeiros sobre as consequências imediatas da deposição de Maduro. Segundo o secretário, os Estados Unidos dividiram com a Venezuela os recursos da primeira venda de petróleo realizada após a prisão do líder venezuelano. Dos US$ 500 milhões arrecadados, aproximadamente R$ 2,6 trilhões, US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,56 trilhão) foram enviados ao governo venezuelano, enquanto outros US$ 200 milhões (equivalente a R$ 1,04 trilhão) permanecem retidos em uma conta, aguardando destinação.

A operação militar, executada em 3 de janeiro, levou tropas norte-americanas à capital Caracas, onde prenderam Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O casal foi transportado para Nova York, onde enfrenta julgamento por acusações de tráfico de drogas, crimes que ambos negam veementemente. Atualmente, estão detidos em uma prisão de segurança máxima nos Estados Unidos.

Rubio defendeu a legalidade da ação perante o Congresso, classificando Maduro como "narcotraficante indiciado, não um chefe de Estado legítimo". No entanto, a intervenção continua gerando controvérsia internacional, com a Organização das Nações Unidas e diversos países denunciando supostas violações ao direito internacional, enquanto o governo Trump insiste no cumprimento da legislação norte-americana.

Alerta direto à presidente interina Delcy Rodríguez

Em seu pronunciamento, o secretário de Estado emitiu um alerta contundente à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Rubio afirmou que ela "pode ter o mesmo destino de Maduro" caso não coopere com os objetivos estratégicos dos Estados Unidos. "Delcy conhece muito bem o destino de Maduro", destacou ele, referindo-se ao trecho de seu depoimento divulgado pelo Departamento de Estado.

O governo Trump exige que Rodríguez adote uma postura de subserviência, especialmente em relação ao setor petrolífero, e rompa os laços históricos com China, Rússia e Irã, aliados tradicionais do chavismo. Relatórios de inteligência norte-americanos, acessados pela agência Reuters, expressam dúvidas sobre a disposição da presidente interina em atender a essas demandas.

Rubio reforçou que os Estados Unidos estão "preparados para usar a força" se outros métodos de persuasão falharem, ecoando declarações anteriores de Donald Trump, que ameaçou fazer Rodríguez pagar um "preço muito alto" por eventual resistência.

Contexto político e reações à operação

O ex-senador republicano, conhecido por suas críticas ferrenhas a governos de esquerda na América Latina, aceitou testemunhar perante seus antigos colegas após semanas de acusações por parte dos democratas. Eles alegam que o governo Trump enganou os legisladores e excedeu sua autoridade ao empregar força militar em solo estrangeiro.

Em sua defesa, Rubio garantiu que "não estamos em guerra contra a Venezuela" e celebrou o sucesso da operação, que, segundo ele, foi realizada "sem a perda de uma única vida norte-americana, nem uma ocupação militar contínua". "A história oferece poucos exemplos nos quais se tenha conquistado tanto a um custo tão baixo", argumentou.

Contudo, autoridades venezuelanas contestam essa narrativa, afirmando que mais de 100 pessoas, incluindo venezuelanos e cubanos que tentavam proteger Maduro, perderam a vida durante a intervenção.

Após a audiência no Congresso, Rubio se reunirá com María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, conforme informado pelo Departamento de Estado. O secretário, que historicamente apoiou a oposição liderada por Machado, parece realinhar a estratégia dos EUA, focando na pressão sobre Rodríguez em vez de fortalecer diretamente os grupos opositores.