Porta-aviões americano chega ao Oriente Médio em meio a tensões com o Irã
Um porta-aviões dos Estados Unidos chegou à região do Oriente Médio com a missão de monitorar a crescente instabilidade no Irã. O deslocamento da embarcação militar ocorre em um contexto de protestos massivos que começaram em dezembro devido à grave crise econômica que assola o país, dando origem a um movimento que clama pela derrubada do regime islâmico.
Trump não descarta intervenção militar e números da repressão preocupam
O ex-presidente americano Donald Trump afirmou publicamente que os Estados Unidos não descartam uma intervenção militar no território iraniano. Enquanto isso, um grupo de direitos humanos sediado nos Estados Unidos divulgou dados alarmantes sobre a repressão às manifestações, indicando aproximadamente 6.000 mortes confirmadas e outros 17 mil casos que estão sob investigação.
Pesquisador analisa cenário de transição de poder sem guerra civil
Segundo Vitelio Brustolin, professor de relações internacionais e pesquisador, o aparato militar americano na região está se intensificando, seja no Mediterrâneo, seja nas proximidades do Golfo Pérsico. Em entrevista ao Conexão Record News, Brustolin apresentou uma análise detalhada sobre as possibilidades de ação dos Estados Unidos.
"Existe uma possibilidade de que os Estados Unidos tentem derrubar o Khamenei, como fizeram com Maduro na Venezuela, sem derrubar o regime", afirmou o especialista. Ele explicou que essa estratégia envolveria a retirada de Ali Khamenei, que atualmente tem 86 anos e não possui um sucessor público claramente definido.
Khamenei indicou três religiosos de idade avançada para possivelmente substituí-lo, mas esses nomes não foram divulgados oficialmente, criando um vácuo de liderança preocupante.
Negociação interna poderia evitar conflito generalizado
Brustolin destacou que, para que essa transição ocorra de forma pacífica, seria necessária uma negociação com figuras internas do regime iraniano. Potenciais interlocutores poderiam incluir Massoud Pezeshkian ou representantes da Guarda Revolucionária Islâmica que tivessem capacidade de sustentar a estrutura governamental existente.
Essa abordagem teria como objetivo principal evitar uma guerra civil no dia seguinte à eventual saída de Khamenei do poder. O pesquisador enfatizou que se trataria especificamente da queda do líder supremo, mas não necessariamente de uma mudança completa do regime islâmico, pelo menos em um primeiro momento.
A análise de Brustolin sugere que os Estados Unidos estariam considerando uma intervenção cirúrgica que remova a figura central do poder sem desestabilizar completamente as estruturas políticas e sociais do Irã, uma estratégia complexa que exigiria delicadas negociações diplomáticas e um profundo entendimento das dinâmicas internas do país.