Justiça dos EUA bloqueia detenção de refugiados em Minnesota e ordena libertação imediata
EUA: Justiça proíbe detenção de refugiados em Minnesota

Justiça federal dos EUA suspende diretiva de Trump e ordena libertação de refugiados em Minnesota

Um juiz federal dos Estados Unidos bloqueou temporariamente, na quarta-feira 28 de janeiro de 2026, a diretiva do governo do presidente Donald Trump que autorizava a detenção de refugiados em Minnesota. A decisão judicial, emitida pelo juiz distrital John Tunheim, exige a libertação imediata das pessoas que estão detidas e reafirma os direitos legais dos refugiados no país.

Contexto da operação migratória em Minnesota

O estado de Minnesota tornou-se um símbolo da agressiva política de deportações em massa da Casa Branca. Trump enviou aproximadamente 3 mil agentes federais de imigração para a região como parte da Operação Metro Surge, que provocou indignação após a morte de dois civis americanos baleados por agentes do ICE e da CBP em Minneapolis.

Neste mês, o governo Trump iniciou um programa para reavaliar a situação legal dos quase 5.600 refugiados em Minnesota que ainda não receberam o green card, documento que permite residência e trabalho permanente nos Estados Unidos.

Fundamentação da decisão judicial

Na ordem emitida, o juiz John Tunheim afirmou que a Casa Branca pode continuar aplicando as leis de imigração e revisar a situação dos refugiados, mas deve fazê-lo sem prender nem deter membros do grupo. Os refugiados têm o direito legal de estar nos Estados Unidos, o direito de trabalhar, o direito de viver em paz, escreveu Tunheim.

O magistrado destacou ainda que na melhor das hipóteses, os Estados Unidos servem como refúgio de liberdades individuais em um mundo que, com muita frequência, está repleto de tirania e crueldade. A decisão enfatiza que os refugiados em questão passaram por verificações rigorosas de antecedentes e processos de seleção antes de serem admitidos no país.

Reação do governo Trump e impacto na comunidade

A ordem foi rapidamente criticada pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, considerado o arquiteto da política migratória de linha dura de Trump. A sabotagem judicial da democracia não tem fim, escreveu ele no X, antigo Twitter.

Minneapolis e sua vizinha St. Paul abrigam aproximadamente 80 mil pessoas de ascendência somali, a grande maioria residentes legais ou cidadãos americanos. A operação do governo Trump focou especialmente nesta comunidade, aproveitando-se de casos de fraude envolvendo programas de benefícios sociais.

Detalhes da ação coletiva e testemunhos

A liminar foi concedida no âmbito de uma ação coletiva movida por refugiados representados pelo International Refugee Assistance Project, pelo escritório Berger Montague e pelo Center for Human Rights and Constitutional Law. O processo alega que o governo Trump visa ilegalmente refugiados que se encontram legalmente no país.

Agentes do ICE prenderam muitos refugiados em postos de controle de imigração, a caminho do trabalho ou da escola, e apareceram em suas casas sem mandado judicial. Fugi do meu país de origem porque estava sofrendo repressão do governo. Não consigo acreditar que isso esteja acontecendo de novo aqui, declarou um dos demandantes identificado como D. Doe.

Proteção imediata e próximos passos

A ordem de Tunheim exige que qualquer refugiado detido sob a revisão de status em Minnesota, conhecida como Operação PARRIS, seja libertado imediatamente. Por mais de duas semanas, refugiados em Minnesota têm vivido com o terror de serem caçados, disse Kimberly Grano, advogada do IRAP.

A decisão representa uma vitória significativa para organizações de direitos humanos e estabelece um precedente importante na proteção legal de refugiados reassentados nos Estados Unidos, enquanto a Casa Branca avalia possíveis recursos contra a determinação judicial.