Invasão dos EUA na Venezuela: o que revela sobre os falsos democratas?
EUA invadem Venezuela: análise sobre falsos democratas

O cenário internacional foi abalado por um evento de proporções avassaladoras: a invasão e prisão do presidente da Venezuela por forças dos Estados Unidos. O fato, transmitido ao vivo para o mundo, vai muito além de uma simples alteração na ordem geopolítica. Coloca uma lente de aumento sobre a natureza do poder e, principalmente, sobre como cada indivíduo reage diante do arbítrio escancarado.

O Ato Autoritário e a Reação Mundial

No dia 4 de janeiro de 2026, o mundo testemunhou um episódio que muitos julgavam impensável no século XXI. Sob um governo Trump descrito como autoritário, fascista e criminoso pelo articulista, os Estados Unidos não apenas invadiram um país soberano, a Venezuela, como prenderam seu presidente. A ação foi acompanhada pela declaração de que os EUA administrariam os destinos da nação vizinha, um gesto classificado como de empáfia e orgulho estúpido.

Para o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, autor do artigo originalmente publicado na Revista Fórum, a perplexidade diante do fato é quase literária. A questão central, em sua visão, não se resume a debater se a Venezuela é ou não uma democracia. Esse argumento, segundo ele, seria uma diversão criada por autoritários para protegerem-se. O cerne do debate é o autoritarismo explícito da administração Trump, o arbítrio e a prática ditatorial.

A Pergunta que Fica: Onde Você se Posiciona?

Diante da vilania inexorável, como aponta Kakay, a discussão fundamental migra para o campo pessoal e social. Como pessoas que se consideram livres e democráticas reagem a essa demonstração de força? O artigo levanta um questionamento incômodo e direto: quem são os falsos democratas que, no fundo, apoiaram ou se alegraram com a invasão?

O texto identifica figuras típicas nesse cenário: o empresário que rejeita o rótulo de bolsonarista ou fascista, mas que apoiou a intervenção; o "fascistinha enrustido" que busca razões para justificar o abuso; e o intelectual "fajuto" que se engaja em malabarismos retóricos para defender o indefensável. São personagens cansativos e vencidos, na avaliação do autor, que se encastelam em uma narrativa bizarra de sucesso, quando na verdade celebram um fracasso retumbante da civilização.

Um Tempo Triste e a Poesia da Podridão

A reflexão de Kakay é temperada por um tom de profunda desilusão. "O mundo caminha inexplicavelmente para um fracasso retumbante", escreve, enquanto esses setores medíocres continuam a gabar-se do ridículo. Para ilustrar o momento, ele recorre ao poema "O Velho Abutre", da portuguesa Sophia de Mello Breyner, cujos versos finais ecoam a sensação de que a podridão agrada a alguns, e seus discursos têm o poder de tornar as almas pequenas.

A invasão dos EUA à Venezuela, portanto, atua como um teste de caráter coletivo. Ela escancara não apenas a vontade de poder de uma nação, mas as fissuras e hipocrisias dentro de cada comunidade. A verdadeira discussão democrática que restará, após o frisson inicial, será justamente sobre como lidamos com o autoritarismo alheio e com o que ele revela sobre nós mesmos.

O artigo serve como um convite urgente à introspecção política. Em um tempo definido como triste, a pergunta deixada no ar é: de que lado da história cada um escolherá ficar quando a poeira desse ato arbitrário baixar?