EUA enviam porta-aviões USS Gerald Ford ao Oriente Médio para pressionar Irã em negociações nucleares
EUA enviam maior porta-aviões do mundo ao Oriente Médio contra Irã

Pentágono desloca maior porta-aviões do mundo para aumentar pressão militar sobre o Irã

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos ordenou o deslocamento do porta-aviões USS Gerald Ford, considerado a maior máquina de guerra do mundo, para o Oriente Médio. A embarcação, que havia sido enviada anteriormente ao Caribe para apoiar operações contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, agora se junta à armada americana na região do Golfo como parte da estratégia de pressão militar contra a República Islâmica do Irã.

Contexto das negociações nucleares e ameaças de Trump

A movimentação ocorre em um momento crítico das negociações sobre o programa nuclear iraniano. Na última semana, representantes de Washington e Teerã participaram de conversas indiretas em Omã, marcando o primeiro encontro diplomático desde que os Estados Unidos se aliaram a Israel durante uma guerra aérea de 12 dias contra o Irã em junho do ano passado.

O presidente americano, Donald Trump, advertiu publicamente sobre as "consequências muito traumáticas" que o Irã enfrentaria caso não seja alcançado um acordo que imponha limites mais rigorosos ao enriquecimento de urânio. Esta não é a primeira demonstração de força na região: em janeiro, o magnata republicano já havia determinado o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para a mesma área.

Capacidades operacionais do USS Gerald Ford

O USS Gerald Ford possui capacidades bélicas impressionantes:

  • É o porta-aviões mais avançado tecnologicamente da frota americana
  • Serviu de apoio para a operação de 3 de janeiro que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela
  • Seus aviões de combate participaram dos bombardeios sobre Caracas que permitiram a captura do líder chavista
  • Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para Nova York onde enfrentam acusações de narcotráfico

Divergências nas negociações e preocupações regionais

As negociações entre os dois países enfrentam obstáculos significativos. Enquanto Teerã insiste que as conversas devem focar exclusivamente na questão nuclear, Washington busca abordar uma estrutura mais ampla que inclua mísseis balísticos e grupos armados regionais. Além disso, a Casa Branca manifesta preocupação com possíveis violações aos direitos humanos no país persa.

Apesar das diferenças, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações representaram um "bom começo" e devem continuar. A mídia estatal iraniana relatou que a cúpula terminou com uma "vontade de continuar", embora não tenha sido especificada uma data para o próximo encontro.

Tensões crescentes e incidentes recentes

Nas últimas semanas, as tensões na região aumentaram consideravelmente:

  1. O porta-aviões USS Abraham Lincoln abateu um drone que teria se aproximado de forma "agressiva" da embarcação
  2. O Comando Central das Forças Armadas americanas acusou navios da Guarda Revolucionária Islâmica de "importunarem" um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz
  3. A crise se intensificou diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos que tomaram o país desde o início do ano

Protestos internos e preocupações estratégicas

As manifestações no Irã, inicialmente motivadas pelo colapso da moeda local (rial) e pela crise inflacionária, cresceram em escala e passaram a pedir o "fim da ditadura" e a deposição do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. No auge dos protestos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes, declarando que a ajuda estava "a caminho".

Autoridades iranianas ouvidas pela agência Reuters expressaram preocupação crescente com a possibilidade de que um ataque americano possa quebrar o controle do poder no país, levando uma população já enfurecida de volta às ruas. A liderança em Teerã teme que uma intervenção militar externa possa desestabilizar ainda mais a situação interna.

Perspectivas futuras e objetivos diplomáticos

O chefe da agência de energia atômica iraniana, Mohammad Eslami, afirmou recentemente que o país está disposto a "diluir" seu estoque de urânio altamente enriquecido caso os Estados Unidos suspendam todas as sanções econômicas. Esta proposta representa uma possível abertura nas negociações, embora ainda existam divergências fundamentais a serem superadas.

Em Omã, a prioridade diplomática continua sendo evitar conflitos diretos e reduzir a tensão regional. No entanto, com o envio do USS Gerald Ford e a retórica agressiva de Trump, a situação permanece extremamente volátil, com o potencial de escalar rapidamente caso as negociações fracassem ou ocorram novos incidentes militares na região.