EUA e Ucrânia preparam reunião trilateral com Rússia para discutir reconstrução pós-guerra
EUA e Ucrânia preparam reunião com Rússia sobre reconstrução

Diplomatas dos Estados Unidos e da Ucrânia agendam encontro crucial para organizar diálogo trilateral com a Rússia

Autoridades ucranianas e norte-americanas marcaram uma reunião bilateral para esta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, na cidade suíça de Genebra. O objetivo principal é coordenar os preparativos para um futuro encontro trilateral que incluirá representantes da Rússia, conforme anunciou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Este acontecimento diplomático ocorre na semana que marca quatro anos desde o início da invasão russa ao território ucraniano, adicionando um simbolismo significativo às conversas. Zelensky destacou que, além dos preparativos para o diálogo com Moscou, os negociadores também abordarão detalhes específicos de um ambicioso plano de reconstrução da Ucrânia para o período pós-guerra.

Detalhes da reunião e participantes envolvidos

"Primeiramente, será uma reunião bilateral com o lado norte-americano. A primeira questão é o pacote de prosperidade, que é o pacote para a recuperação da Ucrânia, e eles discutirão os detalhes", afirmou Zelensky em comunicado oficial. O presidente acrescentou que os diplomatas também tratarão dos pormenores relacionados à troca de prisioneiros de guerra entre a Ucrânia e a Rússia.

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Entre os participantes confirmados está Rustem Umerov, secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, que deve se encontrar com Steve Witkoff, enviado especial do ex-presidente americano Donald Trump, e Jared Kushner, genro de Trump. Esta composição sugere uma continuidade do envolvimento americano nas negociações, independentemente de mudanças administrativas.

Obstáculos significativos nas negociações

As perspectivas de avanços concretos nesta nova rodada de conversas permanecem bastante limitadas, segundo analistas internacionais. As principais barreiras continuam sendo as exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou, que insiste como condição prévia para qualquer acordo que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk.

Esta área inclui uma linha de cidades fortificadas consideradas entre as defesas mais robustas das forças ucranianas, que atualmente ocupam aproximadamente 17% do território em disputa. A Rússia, por sua vez, controla cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia e partes significativas da região leste de Donbas.

A posição ucraniana defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeitando qualquer retirada unilateral de suas forças. Kiev busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar ofensivas após qualquer eventual cessar-fogo. Outra demanda crucial é o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, atualmente sob ocupação russa.

Contexto econômico desafiador

A economia ucraniana atravessa seu momento mais difícil desde o primeiro ano da invasão russa, principalmente devido aos ataques sistemáticos contra o sistema energético do país. O índice mensal de recuperação da atividade empresarial, medido pelo Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev, registrou números negativos em fevereiro pela primeira vez desde 2023.

A situação se agravou ainda mais após a Hungria manter seu veto a um empréstimo militar de 90 bilhões de euros da União Europeia destinado a apoiar Kiev. Este bloqueio representa um revés significativo para os esforços de defesa e recuperação ucranianos.

Custos astronômicos da reconstrução

Um estudo recente do Banco Mundial, realizado em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano, revelou números impressionantes sobre os custos da reconstrução. Caso a guerra terminasse imediatamente, a recuperação da economia e da infraestrutura da Ucrânia exigiria investimentos de US$ 588 bilhões (aproximadamente R$ 3 trilhões) ao longo de uma década.

Este valor representa um aumento de 12% em relação às estimativas do ano anterior, agravado principalmente pelo salto de 21% nos danos ao sistema energético nacional. "O valor da reconstrução é quase três vezes o PIB nominal do país para 2025", alertou a primeira-ministra ucraniana, Iulia Sviridenko, em comunicado oficial.

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Segundo o estudo, o setor habitacional foi o mais afetado pela guerra, com 14% de destruição ou danos registrados, totalizando prejuízos de US$ 61 bilhões (cerca de R$ 316 bilhões). A primeira-ministra enfatizou que o Produto Interno Bruto do país só poderá retomar um crescimento sustentável com a implementação de um cessar-fogo efetivo.

As negociações em Genebra representam mais um capítulo no complexo processo diplomático que tenta encontrar soluções para um conflito que já dura quatro anos, com impactos humanos, territoriais e econômicos cada vez mais profundos para a Ucrânia e reverberações geopolíticas significativas em escala global.