Groenlândia: O que os EUA já pagaram por territórios e por que a compra é improvável
EUA e Groenlândia: histórico de compras e desafios atuais

Groenlândia: O que os EUA já pagaram por territórios e por que a compra é improvável

A recente tensão entre Estados Unidos e Europa parece ter arrefecido após o anúncio de uma estrutura de acordo sobre a Groenlândia, o território dinamarquês rico em minérios e localizado no extremo norte do globo, cobiçado pelo presidente americano Donald Trump. No entanto, como é característico de Trump, a imprevisibilidade permanece. A saga pela ilha revela não apenas a ambição do líder, mas também levanta questões sobre valores bilionários e seu estilo de negociação, que muitas vezes subverte as regras estabelecidas.

Histórico de compras territoriais dos Estados Unidos

Para justificar sua ambição, Trump frequentemente cita aquisições históricas dos Estados Unidos, como a Louisiana e o Alasca. Mas as normas internacionais mudaram drasticamente desde o século XIX, quando a terra era tratada como um ativo patrimonial do Estado. Após a Segunda Guerra Mundial, a Carta da ONU estabeleceu o princípio da autodeterminação dos povos, o que significa que tanto a Dinamarca quanto os moradores da Groenlândia, que já declararam que a ilha não está à venda, teriam que aprovar qualquer transação.

Veja abaixo um resumo das principais aquisições territoriais dos Estados Unidos ao longo da história:

  • Louisiana: Em 1803, os Estados Unidos compraram o estado por US$ 15 milhões, um valor proporcionalmente gigantesco para a época. Hoje, ajustado pela inflação, equivaleria a cerca de US$ 400 milhões.
  • Flórida: Em 1819, após incursões militares, a Espanha foi forçada a negociar a venda do território por US$ 5 milhões, aproximadamente US$ 130 milhões atualmente.
  • Alasca: Em 1867, os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia por US$ 7,2 milhões, o que hoje seria pouco mais de US$ 130 milhões com ajuste pela inflação.
  • Ilhas Virgens: Em 1917, os Estados Unidos compraram as Danish West Indies da Dinamarca por US$ 25 milhões em ouro, cerca de US$ 650 milhões atualmente.
  • Porto Rico, Guam e Filipinas: Após a Guerra Espanhola-Americana em 1898, esses territórios foram cedidos ou comprados, com as Filipinas sendo adquiridas por US$ 20 milhões, aproximadamente US$ 780 milhões hoje.

Desafios atuais para a aquisição da Groenlândia

Apesar desse histórico, a compra da Groenlândia enfrenta obstáculos significativos. Há mais de 80 anos, a própria ilha recusou uma proposta americana de US$ 100 milhões. Hoje, estimativas sugerem que o valor necessário para uma transação poderia facilmente atingir dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, dada a valorização dos recursos minerais em seu subsolo.

Especialistas e ex-membros do governo federal americano citados pela NBC News mencionaram uma cifra de US$ 700 bilhões, enquanto David Baker, ex-economista do Federal Reserve, calculou valores entre US$ 12 bilhões e US$ 77 bilhões, considerando inflação e crescimento econômico. No entanto, além do custo financeiro, a recusa local e as normas internacionais tornam a aquisição praticamente impraticável, desafiando a ambição de Trump e levantando dúvidas sobre o futuro das relações transatlânticas.