Câmara dos EUA vota projeto para encerrar shutdown causado por impasse migratório
EUA: Câmara vota para encerrar shutdown migratório

Crise orçamentária nos EUA chega a ponto decisivo com votação na Câmara

O Congresso dos Estados Unidos se prepara para uma votação crucial nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, que pode encerrar o mais recente shutdown do governo federal. A paralisação, que já dura três dias, tem suas raízes em um profundo desacordo político sobre o financiamento dos serviços de imigração no país, colocando republicanos e democratas em um impasse de consequências nacionais.

Origens do conflito e pressão política

O bloqueio orçamentário foi desencadeado pela recusa de legisladores democratas em aprovar verbas para agências de imigração, uma reação direta aos trágicos eventos ocorridos em Minneapolis, Minnesota. No final de janeiro, agentes federais do ICE (Imigração e Alfândega) e da CBP (Patrulha de Fronteiras) dispararam contra manifestantes, resultando na morte de dois cidadãos americanos: Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, e Renee Good, poeta e mãe de três filhos, também de 37 anos.

Essas mortes inflamaram o debate político, levando a oposição democrata a exigir reformas substantivas no Departamento de Segurança Interna (DHS) antes de qualquer aprovação de orçamento. O presidente Donald Trump, por sua vez, tem pressionado publicamente por uma solução imediata, utilizando sua plataforma Truth Social para exigir que o Congresso aprove a legislação "SEM DEMORA" e sem alterações.

Negociações tensas e reformas exigidas

Os democratas condicionam seu apoio a três mudanças principais nas operações das agências de imigração:

  • Implementação sistemática de câmeras corporais para todos os agentes.
  • Proibição do uso de balaclavas (capuzes) pelo ICE durante operações.
  • Exigência de mandados judiciais para autorizar detenções, embora esta medida já seja necessária apenas para revistas domiciliares, não para prisões em via pública.

Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara, enfatizou que "não é suficiente se contentar com palavras", exigindo ações concretas do governo Trump. Enquanto isso, os republicanos, embora abertos às câmeras corporais, resistem às outras demandas, argumentando preocupações com a segurança e privacidade de seus agentes.

Contexto político e desafios de votação

Este é o segundo shutdown em menos de seis meses nos Estados Unidos, embora seus efeitos sejam considerados menos severos que o bloqueio de 43 dias ocorrido em outubro e novembro de 2025, que paralisou centenas de milhares de funcionários federais. Diferentemente da crise anterior, centrada em subsídios de saúde, a atual disputa reflete as tensões migratórias que continuam a dividir o país.

O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, tentou minimizar a gravidade da situação, classificando a votação desta terça como uma "formalidade". No entanto, ele enfrenta desafios significativos:

  1. Oposição democrata unida em torno das exigências de reforma.
  2. Dissidência dentro de seu próprio partido, com uma ala conservadora resistente.
  3. Margem estreita de votos, onde os republicanos não podem perder mais de um voto de seus membros, especialmente após a posse de um novo deputado democrata do Texas na segunda-feira.

Johnson reconheceu a necessidade de "boa-fé de ambos os lados" para resolver o impasse, enquanto o Senado já aprovou projetos que mantêm a maioria das agências federais funcionando até setembro, com exceção do DHS, que tem prazo de apenas duas semanas.

Perspectivas e impacto nacional

Apesar da paralisação, especialistas acreditam que os Estados Unidos não experimentarão uma repetição do prolongado shutdown de 2025. As negociações ocorrem sob pressão, mas com um histórico recente de resolução que pode facilitar um acordo. O resultado da votação desta terça-feira não apenas definirá o funcionamento imediato do governo federal, mas também moldará as políticas migratórias e as relações interpartidárias em um ano eleitoral crucial.

A crise evidencia como questões de imigração e segurança interna continuam a ser pontos de fricção central na política americana, com consequências diretas para a governabilidade e a vida de milhões de cidadãos.