Espanha recusa convite de Trump para Conselho da Paz e critica exclusão da Autoridade Palestina
Espanha recusa convite de Trump para Conselho da Paz

Espanha rejeita convite de Trump para integrar Conselho da Paz em decisão histórica

O governo espanhol oficializou nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, sua recusa em participar do chamado Conselho da Paz, iniciativa lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez após uma cúpula especial da União Europeia realizada em Bruxelas, marcando uma posição firme diante da nova estrutura internacional proposta pelo líder americano.

Motivações da recusa espanhola

Em coletiva de imprensa, Sánchez afirmou categoricamente: "Agradecemos o convite, mas recusamos". O chefe de governo espanhol fundamentou a decisão na coerência com o compromisso de Madri com o direito internacional, com as Nações Unidas e com o multilateralismo. Um ponto crucial destacado por Sánchez foi a exclusão da Autoridade Palestina do conselho, órgão criado inicialmente para supervisionar o trabalho do governo de transição que assumiu o comando da Faixa de Gaza.

Esta posição coloca a Espanha ao lado de outros países que já manifestaram reservas ou recusas, como Noruega, Suécia e Itália, embora a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tenha apenas solicitado mais tempo para análise. A recusa espanhola ocorre em um momento delicado, quando cerca de 30 dos 60 líderes mundiais convidados já aceitaram participar, incluindo o presidente argentino Javier Milei.

O polêmico Conselho da Paz de Trump

O lançamento oficial do Conselho da Paz aconteceu durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, com Trump anunciando que será o presidente vitalício do órgão e o único detentor de poder de veto. Em seu discurso, o presidente americano fez críticas à Organização das Nações Unidas, alimentando especulações de que busca substituir a instituição multilateral.

Trump declarou durante a cerimônia: "Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas". O conselho, conforme apresentado, não se limitará à questão palestina, embora comece pela reconstrução da Faixa de Gaza, território que Trump prometeu transformar em uma zona "desmilitarizada e lindamente reconstruída".

Estrutura e controvérsias do novo órgão

A criação do Conselho da Paz estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo Hamas em outubro do ano passado. Segundo a Casa Branca, o órgão "ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza".

O projeto de estatuto do conselho estabelece características polêmicas:

  • Mandatos de três anos para países membros, renováveis pelo presidente
  • Isenção do limite de mandato para países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano
  • Amplos poderes para Trump, incluindo escolha de membros e revogação de participações

Entre os 25 países que já aceitaram o convite estão Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Argentina, Turquia e diversas nações do Oriente Médio e Ásia Central. Enquanto isso, potências como Brasil, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha ainda avaliam suas posições, demonstrando a divisão internacional em torno da iniciativa.

Repercussão e cenário internacional

A recusa espanhola ocorre em um contexto de tensões diplomáticas, evidenciado pela retirada do convite ao Canadá após troca de farpas entre Trump e o primeiro-ministro Mark Carney em Davos. A comunidade internacional observa com atenção as movimentações em torno deste novo órgão, visto por muitos analistas como uma tentativa de esvaziar a ONU e reconfigurar as relações de poder global.

A posição assumida por Pedro Sánchez reflete não apenas uma postura diplomática, mas um alinhamento com valores multilaterais que têm caracterizado a política externa espanhola. Enquanto Trump apresenta seu plano de "Nova Gaza" com arranha-céus e promessas de reconstrução, a ausência de atores palestinos centrais no processo continua sendo um ponto de crítica fundamental para países como a Espanha.

O cenário permanece em aberto, com a resposta do presidente Lula ao convite brasileiro ainda pendente e várias nações importantes mantendo cautela diante de uma iniciativa que promete redefinir os mecanismos de governança global e mediação de conflitos internacionais.