Dinamarca reforça tropas na Groenlândia após ameaças de anexação por Trump
Dinamarca envia tropas à Groenlândia após ameaças de Trump

Em uma resposta direta às reiteradas ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Groenlândia, a Dinamarca iniciou um significativo reforço militar no território ártico. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou nesta quinta-feira que a ambição americana permanece "intacta", configurando um "desacordo fundamental" entre as nações, mesmo após negociações de alto nível em Washington.

Resposta Militar Imediata no Ártico

Na noite de quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, um avião da Força Aérea Real da Dinamarca pousou no aeroporto de Nuuk, capital da Groenlândia, marcando o início do deslocamento de tropas. As imagens registradas pela Reuters mostram militares em uniformes camuflados desembarcando da aeronave. De acordo com o Comando Ártico Conjunto dinamarquês, o objetivo dessas primeiras tropas é preparar o terreno para a chegada de mais efetivos e apoiar a realização de exercícios militares na região.

Esta movimentação ocorre após um anúncio formal, também na quarta-feira, de que a Dinamarca e o governo autônomo da Groenlândia começariam a aumentar sua presença militar na ilha e em seus arredores. A ação é coordenada em estreita cooperação com aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Aliados da Otan Entram em Cena

A resposta à pressão americana ganhou contornos multilaterais com o compromisso público de quatro países europeus. Alemanha, França, Suécia e Noruega anunciaram na quarta-feira que enviarão soldados para a Groenlândia. As tropas aliadas devem começar a chegar ao território a partir de quinta-feira, 15 de janeiro.

Um porta-voz do governo alemão detalhou que militares de reconhecimento serão deslocados para a ilha a pedido da Dinamarca, com a missão de avaliar possíveis contribuições e reforçar a segurança regional. Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a participação de tropas francesas em exercícios conjuntos organizados pela Dinamarca, batizando a operação de "Resistência Ártica".

Fundação do Conflito e Negociações Infrutíferas

O cerne da crise remonta às declarações públicas de Donald Trump, que nas últimas semanas repetiu que a Groenlândia é vital para a segurança nacional dos EUA. Ele argumenta que o controle do território é necessário para impedir uma eventual ocupação por Rússia ou China, afirmando que "todas as opções estão sobre a mesa", inclusive a militar.

Nesta quarta-feira, autoridades dinamarquesas e groenlandesas se reuniram em Washington com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Após o encontro, um alto representante dinamarquês confirmou a persistência do "desacordo fundamental" sobre o futuro da ilha. Os lados concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir as preocupações de segurança dos EUA, mas sem consenso sobre a soberania.

A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, foi enfática ao expressar o desejo de fortalecer a cooperação com Washington, mas deixou claro que o território não deseja ser controlado pelos Estados Unidos. A Groenlândia, embora goze de ampla autonomia, mantém sua condição de território ultramarino sob custódia da Dinamarca.

O governo dinamarquês reiterou seu compromisso de impedir que o cenário de anexação se concretize, enquanto a Casa Branca, sob a gestão Trump, mantém a postura de não descartar nenhuma ação para garantir seus interesses no estratégico Ártico.