Dinamarca e OTAN negociam presença militar dos EUA na Groenlândia
Dinamarca e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) estão atualmente em negociações com os Estados Unidos para estabelecer um acordo sobre a presença militar americana na Groenlândia. No entanto, declarações recentes do ex-presidente Donald Trump voltaram a criar tensões significativas com os aliados europeus, gerando um corre-corre na política dinamarquesa que busca arrefecer esses atritos.
Visita da primeira-ministra à Groenlândia
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, desembarcou na Groenlândia nesta sexta-feira, 23 de agosto, e não escondeu a gravidade do momento atual. "Estamos numa situação séria, como todos podem ver. Existe agora um caminho político, diplomático, e é para isso que temos que nos preparar", afirmou ela, destacando a importância das negociações em curso.
A Groenlândia é um território autônomo que faz parte do Reino da Dinamarca, e sua localização estratégica tem sido foco de discussões geopolíticas. Nos bastidores, representantes dinamarqueses e americanos já iniciaram as conversas formais. O ministro do Exterior da Dinamarca evitou fornecer detalhes específicos, mas pediu calma e destacou um aspecto positivo: "O lado positivo é que o presidente americano, em vez das ideias violentas de possuir a Groenlândia, agora quer negociar conosco e incluir a OTAN".
Objetivos e contexto histórico
Segundo analistas europeus, um dos principais objetivos de Donald Trump é atualizar o Tratado de 1951, que estabeleceu a base legal para a presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia. Originalmente assinado para conter o avanço da União Soviética durante a Guerra Fria, o contexto atual é muito mais complexo. Além da Rússia, a ascensão da China como potência global e a riqueza mineral estratégica da Groenlândia, essencial para a economia moderna, tornam essas negociações ainda mais críticas.
Embora Donald Trump tenha recuado de ameaças anteriores, ele não parou com as críticas. Na quinta-feira, 22 de agosto, ele declarou que os Estados Unidos "nunca precisaram" da OTAN e afirmou que os aliados não lutaram na linha de frente durante a guerra no Afeganistão. Essas declarações provocaram reações imediatas e fortes na Europa.
Reações europeias e impacto nas relações
Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, classificou o comentário de Trump como "revoltante" e um "insulto". O Reino Unido perdeu mais de 450 soldados no conflito do Afeganistão, e outros membros da OTAN, como Canadá, França e Dinamarca, também sofreram baixas significativas, totalizando mais de mil mortes entre os aliados.
No monumento aos dinamarqueses mortos em guerras, o veterano Niels Jespersen exibiu as medalhas que ganhou no Afeganistão e expressou sua decepção. Ele lembrou que os dinamarqueses sentiram o dever de ajudar os amigos americanos após os atentados de 11 de setembro de 2001. "Leva muito tempo para construir amizade e confiança, mas parece que destruir isso tudo é muito rápido", lamentou Jespersen, refletindo sobre o impacto das declarações de Trump nas relações transatlânticas.
Essas negociações e as tensões resultantes destacam a importância da diplomacia e da cooperação internacional em um cenário geopolítico cada vez mais desafiador, onde a Groenlândia se torna um ponto focal de interesse estratégico para múltiplas potências globais.