Rússia, Ucrânia e EUA iniciam diálogo trilateral em Abu Dhabi para buscar fim da guerra
Diálogo trilateral em Abu Dhabi busca fim da guerra na Ucrânia

Diplomacia em ação: encontro trilateral em Abu Dhabi marca novo capítulo nas negociações de paz

Em um movimento diplomático significativo, representantes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos se reúnem nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, em Abu Dhabi, para o primeiro encontro trilateral direto entre as três nações. A reunião, que ocorre às vésperas do quarto aniversário do conflito, tem como foco central a complexa questão territorial, considerada o maior entrave para um acordo de paz duradouro.

Preparações e expectativas para o diálogo conjunto

O anúncio do encontro veio após uma série de conversas bilaterais entre os líderes envolvidos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, conversou com o presidente americano, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. Paralelamente, o presidente russo, Vladimir Putin, recebeu em Moscou o enviado americano Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, em um encontro que durou mais de três horas e meia.

Yuri Ushakov, assessor diplomático do Kremlin, confirmou os detalhes: "Ficou acordado que a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral sobre questões de segurança ocorrerá em Abu Dhabi a partir de hoje". A delegação russa será chefiada pelo general Igor Kostiukov, oficial superior do Estado-Maior, enquanto a Ucrânia enviará uma equipe robusta incluindo o secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Gnatov.

Os pontos críticos em discussão: Donbass e garantias de segurança

Zelensky deixou claro o foco das conversas: "O Donbass é uma questão fundamental. Será discutida da maneira que as três partes considerarem adequada". A Rússia, que atualmente controla cerca de 20% do território ucraniano, mantém exigências firmes:

  • Retirada completa das tropas ucranianas da região do Donbass, no leste do país.
  • Compromisso de Kiev em não aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Por outro lado, a Ucrânia busca garantias de segurança concretas dos Estados Unidos para dissuadir futuros ataques russos. Zelensky afirmou em Davos que "as garantias de segurança estão prontas", destacando que o documento aguarda assinaturas presidenciais e aprovações parlamentares.

Contexto desafiador e perspectivas futuras

Ushakov enfatizou o empenho americano na preparação do encontro, observando que "os americanos se empenharam muito na preparação para esta reunião e esperam que ela seja um sucesso". No entanto, ele também deixou claro a posição russa: "Estamos sinceramente interessados em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos", mas "até que isso aconteça, a Rússia continuará alcançando seus objetivos no campo de batalha".

O cenário atual permanece tenso, com Moscou intensificando ataques à infraestrutura energética ucraniana nos últimos meses, causando apagões massivos durante o rigoroso inverno europeu. Em Davos, Zelensky continuou a pressionar por mais assistência de defesa dos aliados europeus e insistiu na necessidade de forçar concessões de Putin, que até agora não demonstrou flexibilidade em suas exigências.

Além da reunião trilateral sobre segurança, outra discussão paralela ocorrerá em Abu Dhabi entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev, focando em questões econômicas relacionadas ao conflito. Este encontro histórico em solo dos Emirados Árabes Unidos representa um novo capítulo na busca por uma solução diplomática para um conflito que já dura quase quatro anos, com esperanças renovadas, mas também com desafios substanciais pela frente.